Viajando o mundo em uma Kombi, Čao Laru faz show em Curitiba

Fernando Garcel

Na estrada desde 2016, a banda viajante se apresentou por todo o leste europeu, chegou ao Brasil pela Bahia e seguiu fazendo shows até a Patagônia, no sul da Argentina. Agora estão no Brasil para um giro de mais de 30 shows

Sete pessoas, instrumentos, uma kombi, vontade de levar música a qualquer lugar e muita história para contar. Esses são os elementos que formam o grupo franco-brasileiro Čao Laru (a pronúncia é Tchau Larru) que se apresenta em Curitiba, neste domingo (22), às 18 horas, com o lançamento do disco Kombiphonie.

O início de tudo aconteceu há quatro anos durante o mestrado em Pedagogia Musical em Rennes, na França. Lá, Noubar Sarkissian Junior conheceu Laura Aubry, Marie Tisser, Louise Aleci e Victor Ledoux e de lá saíram decididos a colocar em prática os conceitos que aprenderam na universidade e montar uma banda de “músicos interventores”. Com música, eles ocupavam espaços como asilos, creches e hospitais além de manter a característica que dá nome ao grupo: a rua.

Čao Laru apresenta canções francesas, polifonias macedônicas, ritmos brasileiros, cantos occitanos, sons dos Balkãs, composições e arranjos de músicas tradicionais colhidas pelas estradas por onde eles passam. São instrumentos diversos, que dialogam entre si em suas múltiplas influências: violino, cavaquinho, violoncelo, pandeiro, zabumba, saxofone, baixo, acordeão, dentre outros.

A mistura de ritmos e instrumentos criou um gênero musical único e isso aproxima o público independente do local em que o grupo se apresenta, garante Noubar. “Nos shows, o exótico, cantar em várias línguas com vários instrumentos, junto com a mistura de ritmos brasileiros aproxima. São composições da Romênia ou com ritmos franceses e que tem maracatu e samba no meio”, diz o compositor. “Essa mistura tem agradado bastante no Brasil e em outros países porque encontram algo em comum com a cultura misturado com coisas novas”, descreve o músico.

Banda viajante

Foto: Isabela Faria Trigo

O conceito de banda viajante nasceu após a primeira experiência fora da França, durante uma viagem para Cuba, em 2016. Em junho daquele ano, alugaram um motorhome e ficaram quatro meses na estrada. Passaram por 13 países, entre a França e a Romênia. Na Suíça, descobriram que tocar nas ruas e feiras de artesanato – e passar o chapéu ao final das apresentações – rendia dinheiro suficiente para que os seis músicos se sustentassem.

Em outubro de 2016, eles vieram ao Brasil e compraram uma Kombi. Foram da Bahia até a Patagônia, na Argentina, totalizando 7 meses na estrada, 25 mil quilômetros rodados e centenas de apresentações.

Cada membro da banda assume uma função para que o dia a dia na estrada funcione. Um acorda o grupo no horário correto; o outro é responsável pela faxina da Kombi; outro cuida dos mapas para eles não se perderem nas longas viagens; e há o cozinheiro e o lava-louças, além do motorista, é claro. “Também temos uma regra: cada músico é responsável pela produção de uma turnê”, explica Noubar que produziu os shows no Brasil com nada mais do que um notebook e internet wi-fi.

Viajar, praticamente sem parar, é missão para poucos e está sujeito a problemas inusitados. Durante a turnê, a kombi quebrou em Esquel, no ponto mais ao sul da Patagônia, e não havia peças para reposição no país vizinho. “Todos os lugares pararam de produzir essa kombi há muito tempo. Foram 17 dias viajando de carona ou com pessoas que gostavam do nosso trabalho”, conta Noubar. Para pequenos problemas no veículo, a banda conta com o apoio do saxofonista Victor Ledoux que tem formação em mecânica.

Além de apresentações em casas de shows, bares e teatros, a banda também promove eventos em escolas, prefeituras, em praças, escolas e até na casa de fãs da banda.

Foto: Isabela Faria Trigo

Música na rua

Acostumados a tocar nas ruas, Noubar compara a valorização da arte no Brasil e fora. “Infelizmente, no Brasil, o artista de rua é muito ligado a mendigagem, e o chapéu é quase uma esmola. Nem sempre, mas muitas vezes é assim”, conta. “Na Suíça, tocando na rua, nós ganhamos mais dinheiro do que tocando em bares e restaurantes. A arte de rua é tão valorizada que fica mais fácil”, explica.

Mas nem as dificuldades, burocracias e insegurança vão afastar o grupo das ruas, garante o músico. “Levar a música para pessoas que não podem ir ao teatro ou em uma balada. A rua é importante como um ato político”, conta.

Acolhimento brasileiro

Como a renda não possibilita que paguem hospedagem por onde passam, Noubar conta que é comum que o grupo se hospede na casa de amigos e até de quem oferece, após o show, uma estadia quando a produção não consegue viabilizar hotel.

“No final do show, a gente pergunta se alguém pode nos hospedar e sempre funcionou no Brasil. Nunca ficamos na rua. O Brasil é um lugar em que as pessoas tem mais facilidade em demonstrar que gostaram. Eles [os músicos franceses do grupo] adoraram o Brasil e os brasileiros pela receptividade e calor humano que a gente não encontrou em lugar nenhum”, diz Noubar.

Apresentação

Formada atualmente por Noubar Sarkissian Junior, Felipe Trez, Pedro Correa Abrantes Pinheiro, Laura Aubry, Marie Tisser, Louise Aleci e Victor Ledoux, o grupo chega em Curitiba e se apresenta no restaurante Caiçara, às 18 horas. O valor do ingresso é R$ 10, no primeiro lote; R$ 15, no segundo lote; e R$ 20 na hora do evento.

Depois, a banda segue viagem para apresentações por diversas cidades de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

Conheça mais sobre a banda:

 

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