12 de Maio – Dia Mundial da Fibromialgia – síndrome afeta principalmente mulheres

Simone Giacometti

Sentir dores intensas e incapacitantes, mas sem causa aparente e, muitas vezes, também sem diagnóstico. Esse é o desafio constante de quem tem fibromialgia, dor crônica caracterizada por se disseminar por vários pontos do corpo, especialmente tendões e articulações, e provocar fadiga, distúrbios de sono e alterações de humor, dentre outros sintomas relacionados. De causa desconhecida, estima-se que 2% a 4% da população geral tenha fibromialgia, sendo que são mais comuns os casos em mulheres de 30 a 50 anos.

A síndrome afeta nove mulheres para cada homem. Hoje, a explicação mais aceita para a origem da dor generalizada é um excesso de sensibilidade do sistema nervoso central. Mas ainda há muito a ser feito no campo da pesquisa.

Por ser silenciosa e não detectável em exames laboratoriais, o diagnóstico é clínico e muitas vezes a fibromialgia é vista como um transtorno apenas psicológico, já que comumente pacientes apresentam outros sintomas, como quadro ansioso depressivo, fadiga e diferentes tipos de insônia, rigidez articular, dores de cabeça, mãos inchadas, problemas de concentração e memória.

Enquanto medicamentos são testados, quem tem a doença conta com tratamentos paliativos para amenizar os efeitos provocados no organismo. O apoio da família e de amigos tem sido um grande alento. Foi o que descobriu a nutricionista Renata Luna, que criou o projeto Redescobrir. Ela mantém a página Projeto Redescobrir, no Facebook. e no Instagran onde escreve sobre o assunto.


As postagens trazem conforto para quem convive com as crises.”Ter fibromialgia é estar bem num dia e terrivelmente dolorida no outro. É não saber descrever como a dor parece atravessar nossa pele, nossos músculos e estremecer os ossos. É estar fragilizada emocionalmente, precisando mais do que tudo de um abraço e sentir dor até com a roupa que tá no corpo e a bolsa que tá pendurada no ombro. É se policiar para não esquecer nunca um casaco para não travar no ar condicionado do trabalho. É deixar de jogar boliche, mas lembrar a paixão pelos jogos de tabuleiro. É sentir uma saudade agridoce de correr, jogar basquete e dançar, mas se encantar por pilates, alongamento, exercícios funcionais e hidroginástica. É ser uma eterna companheira da fisioterapia, acupuntura, drenagem, massagem – ou qualquer outro tratamento alternativo que nos faça sentir melhor. Esse projeto tem esse nome porque foi com a fibromialgia que eu tive que me #redescobrir como pessoa. Como amiga, como profissional, filha, mãe, mulher, dona de casa… E existia tanto aqui dentro que eu nem sabia que existia! Uma força gigante, aquela coragem feroz, a calmaria da paciência, os ensinamentos da resiliência… Às vezes perdemos muito tempo nos concentrando somente no que há de ruim, no que perdemos. Mas é se redescobrindo nas adversidades que percebemos nossa força. Tenha orgulho sim da pessoa que você se tornou. Você é mais forte do que pensa e do que as pessoas podem ver. #fibromialgiabrasil

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Wellington Briques, médico pesquisador,  destaca o controle da dor como um dos grandes desafios do tratamento da fibromialgia. O médico comenta que, até pouco tempo, a única opção disponível para tratamento paliativo da fibromialgia era o uso de relaxantes musculares, para os casos de dor aguda e por curtos espaços de tempo, e de antidepressivos – que, no longo prazo, causam efeitos colaterais importantes – além da recomendação de exercícios físicos diários e medidas para melhora do sono.   Ele trabalha com a linha de pesquisadores israelenses que utilizam componentes da planta cannabis para fabricação de remédios que reduzem as dores.  Os os estudos vem sendo feitos desde 2017.

A pesquisa contou com 26 pacientes, com idade média de 37 anos, diagnosticados com fibromialgia há pelo menos 2 anos. Do total, 73% eram mulheres. Os indivíduos responderam questionários sobre a doença antes e depois do tratamento com cannabis medicinal, que durou por volta de 11 meses. Ao final do tratamento, 100% dos pacientes relataram melhora nos sintomas da fibromialgia em todos os quesitos que constavam no questionário, principalmente no que se referia à dor. Pelo menos 50% dos participantes reportaram ter parado de tomar a medicação tradicional após o consumo da cannabis.

Apesar da polêmica em torno do uso medicinal da maconha, sintetizada em forma de medicamento, Dr. Briques, defende a ideia de utilizar os canabinoides como fármacos no tratamento da fibromialgia por conta do controle da dor e do estresse crônico:“Temos observado que doses diárias de canabinoides podem reduzir significativamente os níveis de dor, depressão e ansiedade em pacientes com fibromialgia, proporcionando a eles melhora significativa na qualidade de vida como não se via com o uso dos outros medicamentos”.

 

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