Não há barragem segura, diz delegado da Polícia Federal do caso Brumadinho

Um mês após a tragédia na barragem de Brumadinho (MG), o delegado da Polícia Federal responsável pelo caso, Luiz Augusto..

Camila Mattoso - Folhapress - 26 de fevereiro de 2019, 14:07

Foto: Fotoarena/Folhapress
Foto: Fotoarena/Folhapress

Um mês após a tragédia na barragem de Brumadinho (MG), o delegado da Polícia Federal responsável pelo caso, Luiz Augusto Pessoa Nogueira, diz que não há barragens de mineração seguras no Brasil e que elas deveriam deixar de existir.

Ele afirma que será possível identificar culpados e aponta uma série de falhas de fiscalização a partir das investigações, ainda em andamento.

Segundo Luiz Augusto, já há convicção de que as mineradoras trabalham com algo que não conhecem, em referência ao fenômeno da liquefação -quando o material sólido se comporta como líquido.

Até agora, a apuração aponta que o fenômeno foi o causador da tragédia, que matou 179 pessoas no dia 25 de janeiro. Há ainda 131 desaparecidos. Peritos agora trabalham para desvendar qual teria sido a causa dessa liquefação.

"O que já temos plena convicção é que o fenômeno da liquefação é pouco conhecido e ainda que haja monitoramento, pode ocorrer mesmo assim. Ninguém sabe quando, como e por qual motivo. Nem como prevenir. Elas e acabar com o rejeito liquido de mineração."

Nas barragens a jusante as novas camadas (alteamentos) são colocadas para frente, e, na montante, elas são inseridas em cima do próprio rejeito. Há no Brasil 84 barragens a montante inscritas no PNSB (Plano Nacional de Segurança de Barragens) e 107 a jusante.

Após a tragédia, a ANM (Agência Nacional de Mineração) estipulou prazo para a eliminação das barragens a montante e determinou que mineradoras retirem instalações industriais de zonas de risco.

No caso do ferro, há a possibilidade de se fazer mineração a seco, o que seria considerado o ideal, segundo o delegado, ainda que seja mais caro.

Sob argumento de que a apuração está em andamento, Luiz Augusto afirma não poder comentar especificamente o inquérito, diz que chegará aos culpados.

Ministério Público e Polícia Civil também apuram o caso. Executivos da Vale e de prestadoras de serviços foram presos a pedido desses dois últimos órgãos. Até agora, a Polícia Federal não pediu prisão de ninguém, mas realizou buscas e apreensões em endereços de pessoas ligadas à barragem de Brumadinho.