Apenas 4% da população está satisfeita com o Brasil

Mariana Ohde


Os brasileiros não estão satisfeitos e não confiam no futuro, tanto em suas vidas pessoais quanto em relação à situação do país. É o que revela a pesquisa inédita O Consumidor Brasileiro e a Crise – Perspectiva de Futuro, divulgada nesta sexta-feira (1º) pelo Instituto Locomotiva.

Segundo os dados, 69% dos entrevistados manifestaram preocupação com a possibilidade de perder o padrão de vida e 71% afirmaram que pretendem consumir menos. Enquanto 51% dos brasileiros disseram estar satisfeitos com sua própria vida na esfera privada, apenas 4% externaram satisfação com o Brasil na esfera pública.

Apenas 25% dos consultados estão satisfeitos com a própria renda. Segundo Renato Meirelles, presidente do instituto, essa insatisfação é resultado do medo e pessimismo com relação ao futuro, o que faz com que o brasileiro passe a pensar muito mais antes de comprar um bem durável parcelado, por exemplo. “No cenário que soma crise econômica com crise política, o brasileiro não consegue ver luz no fim do túnel”.

O levantamento foi feito entre 10 e 15 de julho, com 1.421 brasileiros acima de 16 anos de idade em 50 cidades.

Impacto na economia

Por causa do medo e da falta de esperança de que a vida melhora, os brasileiros estão consumindo menos. Aqueles que se disseram mais pessimistas compram 21% menos nos supermercados do que os otimistas, compram 14% menos móveis e 18% menos produtos eletroeletrônicos.

A pesquisa revela, ainda, que há um ciclo vicioso do pessimismo que impacta a economia. “Eles [consumidores] compram menos, as empresas contratam menos gente e piora a economia”.

Meirelles disse que o pessimismo que o brasileiro apresenta em relação ao futuro próximo do país e a insatisfação com a própria vida e a esfera pública fazem com que “esse fundo do poço pareça não ter fim”.

Para romper esse ciclo, os consumidores estão procurando empresas que se coloquem como suas parceiras nesse momento. Ou seja, empresas que não falem apenas de preço, mas que ofereçam produtos de maior qualidade a um preço justo. “Empresas, por exemplo, que consigam qualificá-lo para o mercado de trabalho”, disse o presidente do instituto.

Meirelles disse que 56% dos consumidores brasileiros dão mais importância à qualidade do produto agora do que há um ano. “Eles não querem produtos vagabundos e baratinhos; querem produtos que entreguem a melhor relação custo/benefício”.

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Repórter no Paraná Portal
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