Pessoas que nunca tiveram dengue não devem tomar vacina, diz Anvisa

Mariana Ohde


Com Agência Brasil e BandNews Curitiba

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou, nesta quarta-feira (29), que o laboratório Sanofi-Aventis, fabricante da vacina da dengue, apresentou informações que sugerem que pessoas que nunca tiveram contato com o vírus podem desenvolver formas graves da doença caso tomem a vacina.

Apesar de esclarecer que a vacina por si só não é capaz de desencadear um quadro grave da doença nem induzir ao aparecimento espontâneo da dengue – para isso, é preciso ser picado por um mosquito infectado -, existe a possibilidade de que pessoas soronegativas desenvolvam um quadro mais agudo de dengue caso sejam infectadas após terem recebido o medicamento.

Para as pessoas que já tiveram dengue, a Anvisa avalia que o benefício do uso da vacina permanece favorável.

A suspeita do laboratório, apresentada nesta semana, ainda não é conclusiva, mas, diante do problema, a recomendação da Anvisa é que a vacina não seja tomada por pessoas que nunca tiveram dengue. A bula da vacina será atualizada enquanto a Anvisa avalia os dados completos dos estudos, que ainda serão apresentados pelo fabricante.

A vacina da Sanofi, chamada Dengvaxia, é a única aprovada no Brasil. Ela foi aprovada em 28 de dezembro de 2015 e não é oferecida pelo Programa Nacional de Imunizações. O produto é indicado para imunização contra os quatro subtipos do vírus.

Por meio de um comunicado, a Anvisa esclareceu que “este risco não havia sido identificado nos estudos apresentados para o registro da vacina na população para a qual a vacina foi aprovada”. A agência informou que, antes do registro, os efeitos da imunização foram estudados em mais de 40 mil pessoas em todo o mundo, e que as pesquisas seguiram os padrões estabelecidos por guias internacionais da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Vacina no Paraná

O Paraná foi o primeiro estado brasileiro a disponibilizar a vacina, em agosto de 2016. Foram investidos R$ 50 milhões na compra do medicamento. O governo do Paraná informou que deve monitorar, agora, as pessoas que foram vacinadas no estado.

Segundo a Secretaria da Saúde, há um cadastro das pessoas vacinadas que permite o monitoramento. Entre aqueles que receberam o medicamento (300 mil paranaenses), 40 tiveram dengue clínica (não confirmada em laboratório) leve. Ainda segundo a secretaria, as vacinas não serão descartadas ainda.

No Paraná, desde agosto de 2016, não houve morte por dengue. No período anterior, foram 63 mortes.

Campanha

A terceira etapa da campanha de vacinação contra a dengue no Paraná acabou no dia 11 de novembro. A campanha era destinada a quem já tomou a 1ª dose da vacina, mas ainda não tomou as doses posteriores.

Os últimos dados mostram que, até o dia 10, cerca de 167 mil pessoas receberam as 2ª e a 3ª doses, o que corresponde a 55,76% do público-alvo imunizado. A meta era aplicar 300 mil doses da vacina. O público-alvo era composto por pessoas que tenham entre 15 e 27 anos dos 30 municípios que têm apresentado os maiores índices da doença (em Paranaguá e Assaí a faixa etária foi ampliada de 9 a 44 anos).

Apenas 24 municípios imunizaram mais da metade de sua população. Entre eles, os com maior índice de doses aplicadas são Cruzeiro do Sul (91,8%) e Tapira (87,7%). Mandaguari e Sarandi são os municípios com os mais baixos índices de pessoas vacinadas nesta etapa da campanha, com apenas 32,95% e 33,04% respectivamente.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal