‘China não é parte dos problemas do Brasil, mas sim das soluções’, diz jornal estatal chinês

Folhapress

O jornal China Daily, controlado pelo governo chinês, publicou um editorial nesta quarta-feira (2) no qual defende que a China não é parte dos problemas do Brasil, mas sim das soluções.

“A China nunca foi a fonte dos problemas que o Brasil enfrenta hoje. Ao contrário: está pronta para ajudar a prover soluções para esses problemas”, diz o editorial, que defende ainda que os dois países podem criar oportunidades ilimitadas de crescimento se trabalharem juntos.

Entre os problemas do Brasil, são citados a alta taxa de homicídios, a saída da crise econômica e a forte polarização da sociedade entre direita e esquerda.

O texto lembra que Bolsonaro adotou uma linguagem dura na campanha eleitoral, quando disse que a “China não está comprando no Brasil. Está comprando o Brasil”.


“Se [a frase] foi um equívoco total ou apenas uma estratégia para ganhar votos ao estimular o nacionalismo, é encorajador que Bolsonaro tem evitado fazer declarações extremas como essa desde então, e parece ter chegado a um acordo com o fato de que o desenvolvimento harmonioso das relações entre China e Brasil beneficiam ambos os países”, diz o editorial.

“Muitos analistas preveem que ele pode precisar recuar em algumas questões, apesar de sua retórica inflamável na campanha, pois terá de agir de forma racional e pragmática depois da posse”, prossegue o texto.

Após ser eleito, no início de novembro, Bolsonaro disse em entrevista que o comércio com a China poderia ser ampliado. “Não teremos nenhum problema, muito pelo contrário”, disse o presidente.

O artigo também recorda que a China é o maior comprador de exportações brasileiras, como soja e minério de ferro e diz que investimentos chineses têm ajudado o Brasil a se desenvolver em setores como energia e infraestrutura.

“A parceria sino-brasileira deve ser resiliente o suficiente para superar quaisquer cenários políticos porque é baseada em cooperação ganha-ganha e benefícios mútuos, e não em um país tirar vantagem do outro”.

As declarações de Bolsonaro contra a China ecoam ações do presidente dos EUA, Donald Trump, que confronta o país asiático para rever tarifas e acordos de importação.

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