Acidentes em parques de diversões: fatalidade ou negligência?

Francielly Azevedo


As tragédias ocorridas na última quarta-feira (26), em dois parques de diversões, um de Goiânia e outro de Ohio (EUA), levantaram questionamentos sobre a estrutura destes espaços de lazer e das condições de segurança para seus funcionamentos. Falhas mecânicas em um  brinquedo causaram a morte de uma pessoa em Ohio (arremessada pelo brinquedo) e deixaram outras sete feridas. Em Goiânia, 11 pessoas ficaram feridas (duas em estado grave) após o mau funcionamento de um dos equipamentos. Para evitar casos assim, o Corpo de Bombeiros do Paraná orienta que as pessoas observem pequenos detalhes.

De acordo com o major Gerson Gross, a primeira dica é seguir as placas de restrição de uso, que informam altura, orientações de saúde e peso máximo para utilização do brinquedo (nunca por faixa etária, porque existe diferença de tipo físico de um indivíduo para o outro). Elas devem ser instaladas pela empresa na entrada dos equipamentos.

O major ainda indica que o usuário e os pais observem as condições gerais do brinquedo como oxidação, falta de pintura e fiação elétrica, como fios expostos e desencapados. “Já aconteceu de encontrarmos a roda-gigante apoiada apenas por um toco de madeira, porque a estrutura de sustentação metálica havia cedido. E, mesmo assim, o equipamento continuou funcionando”, lembra.

Além disso, todos os equipamentos precisam ser cercados para evitar que crianças entrem enquanto ele está em movimento. Outra obrigatoriedade é a presença de cintos de segurança correspondentes ao brinquedo e extintores de incêndio disponíveis por todo parque.

Gross também orienta que o operador do brinquedo precisa ser claro e estar atento as normas de segurança. “Se existe cinto e o monitor autoriza a criança a não utilizar, já não é uma pessoa que está atuando de maneira correta”, afirma.

As regras estão presentes na NBR 15.926, criada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) em conjunto com a Associação das Empresas de Parques de Diversões do Brasil (Adibra). O major explica que o laudo do Corpo de Bombeiros é documental, baseado no relatório feito por um engenheiro responsável pela manutenção e instalação dos equipamentos.

 

Fiscalização

Para um parque se instalar em uma cidade, é necessário o cumprimento de uma série de requisitos: apresentar uma Consulta Prévia de Localização – CPL, laudo do Corpo de Bombeiros e laudo ART de estabilidade estrutural dos equipamentos. Após apresentar esses documentos, a prefeitura emite um alvará permitindo a permanência da empresa por um período de tempo.

Em Curitiba, a fiscalização é feita pela Secretaria Municipal de Urbanismo. Segundo a gerente de fiscalização, Jussara Policeno de Oliveira Carvalho, é preciso que a população ajude os órgãos públicos nessa verificação. “A fiscalização ocorre sempre que há denúncia, por isso é muito importante que a população, ao visualizar os parques, ligue para o 156 e solicite essa fiscalização”, ressalta.

Conforme Jussara, a empresa que não atende às normas está sujeita a sanções. Primeiro o responsável é notificado, depois disso pode sofrer multas e até o embargo do local, impedindo o funcionamento até que seja regularizado.

“No primeiro alto é aplicado uma multa de R$ 870 pela falta de licença. O valor pode sofrer acréscimos caso a empresa não possua laudo dos Bombeiros (R$ 1 mil) e pela falta da ART (R$ 1 mil). No segundo alto o valor poderá ser dobrado e em seguida o local deve ser impedido de funcionar”, detalha.

 

Goiânia

O acidente aconteceu por volta das 13h30 (horário de Brasília), na quarta-feira (26), em um brinquedo giratório conhecido como Twister, no Parque Mutirama, região central de Goiânia. Onze pessoas ficaram feridas, duas delas em estado grave.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, no momento do acidente 16 pessoas estavam no equipamento. Equipes de resgate, em conjunto com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), atenderam as vítimas – um adulto, duas crianças e oito adolescentes.

A perícia trabalha para identificar a causa do acidente, mas indícios apontam que houve falha mecânica.

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Ohio

Em Ohio, nos Estados Unidos, uma pessoa morreu e sete ficaram feridas em um parque de diversões, também na quarta-feira (26), em função de um problema em um brinquedo. Três das vítimas encaminhadas ao hospital ficaram em estado grave.

Enquanto o brinquedo chamado de “Fire Ball” girava no ar, a uma altura considerável do chão, os assentos se deslocaram e as pessoas foram arremessadas.

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.