Adolescente com dor no quadril é sinal de alerta, diz especialista

Redação


O número de adolescentes com idade entre 13 e 17 anos que apresentam de dores no quadril, especialmente naqueles que praticam atividades físicas e nos que possuem alterações no formato dos ossos do quadril, é cada vez mais frequente em consultórios especializados. Estudos internacionais apontam que 15% da população apresenta alterações do formato do quadril compatíveis com o termo impacto femoroacetabular (IFA).

O ortopedista e cirurgião do joelho e quadril, Thiago Fuchs, explica que a dor no quadril dos adolescentes é um sinal de alerta e deve ser investigado, principalmente porque o tratamento precoce é um dos principais fatores para melhores resultados. Ele explica que existe uma preocupação mundial no tratamento precoce, e em individualizar cada procedimento cirúrgico de acordo com a particularidade de cada paciente.

“Na artroscopia do quadril não é diferente. A fase do desenvolvimento esquelético varia de acordo com a idade e desenvolvimento hormonal de cada adolescente. Cada paciente deve ser avaliado quanto ao potencial da cartilagem de crescimento para não prejudicar o desenvolvimento ósseo”, relata Thiago.

O IFA é, basicamente, o contato anormal entre os ossos do quadril que ocorre durante os movimentos. Em quadris normais, durante movimentos do dia-a-dia ou atividades físicas, não existe contato agressivo entre o fêmur e o acetábulo. Mas diante de um quadro de IFA, é observado o impacto entre as estruturas que compõem o quadril (colo do fêmur e o osso acetábulo) e consequentemente o comprometimento de toda a biomecânica dessa articulação, lesão do labrum e da cartilagem articular.

“Esse impacto passa a acontecer durante os movimentos do cotidiano como ficar sentado ou cruzar as pernas, e o dano pode aumentar nos casos da prática de atividades físicas que envolvam grandes amplitudes de movimento do quadril, como ballet, artes marciais, crossfit, esportes com saltos e rotação do quadril”, explica Thiago Fuchs.

Com o passar do tempo e a execução repetitiva dos movimentos, esse impacto anormal pode resultar em excessivo atrito e consequentemente lesões das estruturas moles interpostas na articulação, como labrum e cartilagem. “Essa condição é considerada um fator de risco para o desenvolvimento de um desgaste precoce do quadril em pacientes jovens”, reforça Thiago.

O estudante, Guilherme Dutra de Oliveira Gusmão, 17 anos, sentia fortes dores no quadril desde os 12 anos. Praticante assíduo de musculação e jogador de futebol, Guilherme tomava medicamentos para suportar as dores após os exercícios. “Fiz seis meses de fisioterapia e tomava remédios sem alívio algum”, conta Guilherme.

Foram cinco anos de sofrimento. Há quatro meses ele foi submetido a uma artroscopia do quadril. “No começo foi estranho sentir o quadril com mais rotação, já que eu tinha o movimento limitado. A força foi voltando aos poucos e agora, quatro meses depois, estou liberado para fazer academia. Não sinto mais dor alguma”, relata Guilherme.

Segundo ele, no momento, seu maior sonho está prestes a ser realizado. “O que eu mais quero é voltar a correr e jogar bola. Faltam apenas dois meses”, conta.

Sintomas

A dor geralmente é na virilha e profunda. Alguns pacientes apresentam sintomas de dor ou desconforto no joelho, púbis e articulação sacroilíaca como consequência da doença no quadril. O IFA pode ser confundido com lesões musculares (distensões da coxa ou da virilha). A dor é a principal queixa, em geral relacionada com atividades físicas e com movimentos de flexão-rotação do quadril. Outras queixas incluem falta de mobilidade, travamentos e estalidos no quadril.

Lesão de labrum

A lesão do labrum acetabular em adolescentes geralmente está relacionada às alterações ósseas do IFA, displasia do quadril e hipermobilidade articular.

Quando a lesão do labrum é sintomática, o paciente pode necessitar de uma cirurgia para tratamento definitivo. É muito importante definir a causa da lesão do labrum para indicar o tratamento ideal para cada caso.

Estudos demonstram excelentes resultados da Artroscopia do Quadril para tratamento da lesão do labrum e do impacto femoroacetabular em adolescentes. “Impacto femoroacetabular tipo CAM (femoral) é mais frequente em meninos, e o tipo Pincer (acetabular) é mais comum nas meninas. Além disso, a fase de maturação esquelética é diferente entre paciente de sexos diferentes com a mesma idade. Geralmente as meninas têm a maturação esquelética mais precoce. Individualizar cada caso é fundamental para o sucesso do tratamento”, relata o cirurgião.

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