Advogado acusa desembargador de cobrar propina em julgamento

Andreza Rossini


O advogado Felisberto Odilon Córdova acusou o desembargador da 1ª  Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, Eduardo Gallo, de pedir R$ 700 mil em propina para dar parecer favorável à ação em julgamento.

O caso ocorreu na tarde de quinta-feira (3), durante sessão que julgava o processo.

Córdova afirmou, durante sua sustentação oral, que recebeu a proposta do desembargador. “O julgamento que está acontecendo aqui é comprado. Eu estou fazendo uma denúncia. Esse cidadão foi abordado com uma proposta que veio do Rio de Janeiro, para receber R$ 500 mil, R$ 250 mil antes, R$ 250 mil depois, e o descarado (Gallo) chegou a mandar para o nosso escritório, que poderíamos cobrir isso por R$ 700 mil”, afirmou.

Veja o momento da denúncia em vídeo divulgado nas redes sociais: 

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Antes de ser retirado da sessão ele se referiu ao desembargador com os termos “safado” e “vagabundo”.

O Tribunal de Justiça afirmou que vai averiguar o caso. Veja a nota:

A respeito do grave incidente ocorrido ontem (3/8), em sessão da sua 1ª Câmara de Direito Civil, durante o julgamento de agravo de instrumento em execução de sentença de honorários, movida por advogado, atuando em causa própria, oriundo de ação principal que tramitou na Comarca de Criciúma, o Tribunal de Justiça lamenta profundamente o inusitado episódio e destaca que está a merecer análise acurada no sentido do esclarecimento da verdade, já tendo sido instaurada investigação preliminar.
Por fim, reitera seu compromisso com a estrita observância da ordem jurídica e com os postulados éticos inerentes à atuação dos operadores do direito.

Por meio de nota, o advogado confirmou a denúncia.  Veja na íntegra:
O advogado Felisberto Córdova confirma, em inteireza a denúncia feita da tribuna, ressalvando que foi dirigida ao Desembargador Relator, e não aos demais membros, enfatizando, inclusive,
a postura serena e conciliatória do Des. Presidente da Câmara, Raulino Jacob Bruning, na condução do tumultuado julgamento;
Quanto aos procedimentos ulteriores, na apuração dos fatos pertinentes à denúncia contra o Relator, aguarda-se o desenrolar dos sucessos da situação: a uma pelo Ministério Público, visto
à inversão inicial do seu Procurador de Justiça presente no ato, assessorado e instigado por um ex-procurador desde há pouco feito desembargador, reclamando apresentação de denúncia
contra o advogado, suposto ofensor da honra do Magistrado, por ele tratado como um apóstolo de virtudes inatacáveis; a duas, qual a postura do Conselho Superior de Magistratura ante a gravidade da denúncia; e, a três, qual a reação do próprio Desembargador denunciado. Importa acentuar, nesse quadro, que o julgamento não terminou, interrompido pelo pedido de vistas do Des. Raulino, com retorno marcado para 17.08.17, bem que, ainda, estão em pauta para 10.08.17 (quinta feira próxima) mais dois recursos (agravo de instrumento e apelação) na
mesma causa, recorrentes CECRISA e PORTINARI, recorrido este Escritório – que demanda cumprimento e exaurimento de sentença condenatória, apanhando, no que concerne ao debate atual e residuais, verbas sucumbenciais (honorários).
Com a presente, salvo acontecimentos novos e ou suplementares, o Escritório Felisberto Córdova Advogados, mantém para o momento, apenas estas considerações, até porque, de outra parte, a Ordem dos Advogados do Brasil, Seção de Santa Catarina, está também atenta a evolução dos fatos, ciosa do interesse público em sua solução e alcance finais.

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