Aluno da primeira turma de cotistas negros da UFPR conclui doutorado

Por Lenise Aubrift KlenkDoutor, sim senhor. Poucas são as sessões de defesa de teses de doutorado tão concorridas como a..

Narley Resende - 09 de fevereiro de 2017, 12:58

Por Lenise Aubrift Klenk

Doutor, sim senhor. Poucas são as sessões de defesa de teses de doutorado tão concorridas como a do pesquisador, psicólogo e professor Wellington Oliveira dos Santos, de 31 anos. O motivo foi simbólico.

O pesquisador é o primeiro cotista negro da Universidade Federal do Paraná a se tornar doutor nos bancos da própria instituição. A tese – que compara políticas educacionais antirracistas no Brasil e na Colômbia – foi defendida diante de uma banca de quatro professores nesta semana.

O doutorado foi feito no Núcleo de Estudos Afrobrasileiros da Universidade Federal do Paraná.

Entre mestres, doutores, militantes do movimento negro, parentes e amigos do novo doutor, a universidade comemorou um símbolo do sucesso da política de cotas.

Wellington não é o primeiro cotista a chegar ao doutorado. Pelo menos mais cinco egressos da UFPR estão inscritos em programas de outras universidades. Mas é o primeiro a defender a tese na mesma instituição onde concluiu a graduação.

Latinhas

Ele entrou no curso de Psicologia, em 2005, na primeira turma de cotistas apoiados pelo Programa Afroatitude, lançado pelo governo federal na fase inicial de implantação das políticas afirmativas.

Quando começou a faculdade, Wellington trabalhou como garçom. Ele complementava a renda catando latinhas no caminho de cerca de 6 quilômetros entre o centro da cidade e o Centro Politécnico, trajeto que fazia a pé para economizar.

Depois, incluído entre os 50 cotistas negros atendidos pelo Afroatitude, ele passou a se sustentar com a bolsa acadêmica.

Medos

Para Wellington, a trajetória de sucesso dele e de outros cotistas vai muito além da realização pessoal.

"Sei a importância que tem, simbolicamente falando, alguém como eu chegar ao fim do percurso, que é o doutorado. O que nós (primeiros cotistas) tínhamos era muitas dúvidas e muitos medos, que é esse grupo que ia chegar pelas políticas afirmativas. Tanto os estudante negros, quanto de escola pública. Você ter alguém, não só eu, mas meus colegas que estão terminando mestrado e doutorado, que confirme que aquilo não passava de fumaça. É um medo que não tinha justificativa. Nós entramos na Universidade, conseguimos como os outros estudantes, acompanhar os estudos, nos formamos como eles e disputamos vagas de doutorado e mestrado como eles disputaram", afirma.

Edição: Narley Resende