Animais silvestres resgatados ganham guardiões no Paraná

Narley Resende


Brunno Brugnolo, Metro Jornal Curitiba

Desde o ano passado, animais silvestres resgatados pela Polícia Ambiental do Estado e por fiscais do IAP (Instituto Ambiental do Paraná) sem condições de retornar à natureza podem ser adotados pela população.

A solução é sempre a última alternativa do IAP, que primeiramente busca mantenedores, criadouros científicos e institutos conservacionistas para os bichos incapazes de voltarem à condição natural de competir por alimentos – boa parte deles por terem ficado muito tempo em cativeiro.

“Em último caso, a gente pode entregar para uma pessoa física que tenha a consciência de que terá que cuidar do animal como se fosse uma criança. Esse cuidado é tanto com relação ao bem- -estar do bicho quanto à condição financeira do adotante, pois o animal sempre trará despesas extras”, disse a diretora de Licenciamentos Especiais do IAP, Edilaine Vieira.

De caráter provisório, a medida foi criada por uma portaria do ano passado como alternativa para a lotação de clínicas, hospitais veterinários e Centros de Triagem de Animais Silvestres.

Na mais recente cessão, semana passada, 32 pássaros silvestres foram entregues a voluntários cadastrados no órgão, sendo 29 resgatados na região de Paranavaí, Noroeste do Estado, em ações de fiscalização e de combate a tráfico de animais. Outras três aves vieram de Fazenda Rio Grande, na RMC, de onde a polícia resgatou após denúncia de caça e comércio ilegal.

Entre as espécies estavam o bicudo, coleiro do brejo, cardeal, pássaro preto, azulão, tiziu, melro, galo da campina, curió, bigodinho, periquito rei, pintassilgo, sangrinho, chupim e trinca-ferro. Outros quatro periquitos reis vão ser destinados a um criadouro especializado por não serem domesticados.

Espécies sem características domésticas e ameaçadas de extinção não são destinadas para termos de guarda e depósito.

Sem títuloAdoção

Para adotar um animal silvestre é preciso primeiro fazer um cadastro no site do IAP e entregar no órgão toda a documentação necessária, que inclui a certidão de antecedentes criminais. Nesta fase o interessado informa quais são os animais de sua preferência.

O IAP então vistoria o local do voluntário – que precisa ter um profissional responsável (biólogo ou veterinário) – e, caso aprovado, o adotante fica na lista de espera. Quando houver disponibilidade, o órgão entra em contato e confirma a intenção.

Ao receber os animais, os novos guardiões dos pássaros assinam um Termo de Guarda Provisório, no qual se comprometem a colocar anilhas de identificação (no caso de pássaros) e rastreamento nos animais em no máximo 15 dias, alimentar e apresentar anualmente laudos veterinários que comprovem as boas condições das espécies. Essas pessoas também assinam um termo de ciência de que podem ser fiscalizados pelo IAP em qualquer momento e que, se constatado algum dano ou maus tratos ao animal, a guarda poderá ser retirada.

 

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