Apenas 10% dos jovens estão satisfeitos com as escolas

Uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (22) pelo Instituto Inspirare mostra que os jovens não estão satisfeitos com a..

Mariana Ohde - 22 de setembro de 2016, 14:30

Uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (22) pelo Instituto Inspirare mostra que os jovens não estão satisfeitos com as escolas brasileiras. Além das instituições em si, eles avaliaram aulas e material pedagógico.

“Os alunos demonstram claramente que não estão felizes com a forma como o ensino e a aprendizagem ocorrem", diz Anna Penido, diretora do instituto. Apenas um a cada dez jovens que responderam ao questionário está satisfeito com as aulas e o material pedagógico.

De acordo com Anna, além de os alunos reclamarem da inadequação das aulas e do material didático, eles também afirmam que as relações entre eles e entre eles e os professores "não é legal”. Oito em cada dez entrevistados disseram que as relações dos alunos com a equipe escolar e com os colegas precisam melhorar.

Estrutura física

A estrutura física das escolas é motivo de descontentamento. Para metade dos entrevistados, a sala de aula tradicional, com carteiras dispostas em filas, não faz parte da escola dos sonhos.

Os alunos ouvidos na pesquisa expressaram a vontade de diversificar o local em que estudam. As opções mais populares são o uso de ambientes internos e externos e de móveis variados, como pufes, bancadas, almofadas e sofás, dispostos em diferentes configurações.

Os entrevistados não querem estudar apenas em lugares fechados: 44% sonham com uma escola com bastante área verde.

Aprendizado

A pesquisa revela ainda que 36% dos estudantes consideram que “atividades práticas ou resolução de problemas” os faria aprender mais, e 27% entendem que o uso da tecnologia contribui para a aprendizagem. Para 51%, a tecnologia não deveria se restringir a laboratórios de informática, mas também estar presente nas salas de aula e em outros ambientes.

Futuro

Os jovens também acreditam que a escola deve prepará-los para o futuro. Mesmo quando imaginam uma instituição inovadora, 27% dizem que o foco deve ser "o preparo para o Enem e o vestibular” e 23% dão prioridade à "preparação para o mercado de trabalho”. Quanto ao currículo, 25% querem ter algumas disciplinas obrigatórias e o direito de escolher outras, enquanto 21% defendem disciplinas obrigatórias no horário de aula e eletivas no contraturno.

Afeto

Apesar das críticas, os estudantes ouvidos na pesquisa demonstram que ainda têm vínculo afetivo com o espaço escolar: 70% deles gostam de seus colégios e 72% dizem que aprendem lá coisas úteis para sua vida.

“Eles gostam da escola, eles não desistiram dela. Eles querem que a escola seja diferente, mas que continue existindo. A escola se desconectou da realidade desses alunos, e agora, para se reconectar, vai ser importante escutá-los, ver porque não estão aprendendo”, frisou Anna.

Modelo educacional

Para a diretora do Inspirare, vive-se atualmente a maior crise do modelo educacional desde que se criou a escola como existe hoje.

“A escola de hoje foi construída na revolução industrial para educar as pessoas em larga escala, um modelo mais padronizado para educar muita gente ao mesmo tempo", explica.

Anna disse que esse modelo respondeu a uma realidade "mais cartesiana, mais linha de produção, quando as pessoas se preparavam para uma profissão conhecida, em um cenário mais estável".

"Vivemos hoje em um mundo mais volátil, muita intermediação tecnológica, e a escola tem que acompanhar as novas demandas”, acrescentou Anna.

Metodologia da pesquisa

Para entender o que os alunos pensam da escola e, principalmente, o que esperam dela, a pesquisa usou uma metodologia chamada PerguntAção, que envolveu os jovens em todas as etapas do processo – da elaboração do questionário à análise das respostas. O questionário ficou disponível na internet de 28 de abril a 31 de julho deste ano, para que alunos ou ex-alunos de todo o Brasil pudessem responder às perguntas feitas com o apoio de um conselho de especialistas e de um grupo de 25 jovens de 13 a 21 anos. Algumas secretarias de Educação empenharam-se em divulgar a pesquisa entre os jovens.

Foram ouvidos 132 mil adolescentes e jovens de 13 a 21 anos de todas as regiões do país. Mais de 85% dos entrevistados são da Região Sudeste; 9,4% do Centro-oeste, 3,6 do Sul, 1,4% do Nordeste e 0,2% do Norte.

Segundo Anna Penido, o Instituto Inspirare busca apresentar a pesquisa ao Ministério da Educação e às secretarias de Educação, para que a voz dos jovens possa influenciar na tomada de decisão diante dos gestores.

A pesquisa foi realizada em parceria entre o portal Porvir, programa especializado em inovações educacionais do Instituto Inspirare, e a Rede Conhecimento Social, a pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção.