Apenas 25% dos detentos paranaenses têm oportunidade de trabalhar

Com CBN CuritibaA população carcerária do Paraná é de cerca de 35 mil pessoas. Desse total, apenas 25% têm oportu..

Mariana Ohde - 24 de março de 2017, 08:38

Com CBN Curitiba

A população carcerária do Paraná é de cerca de 35 mil pessoas. Desse total, apenas 25% têm oportunidades de trabalho e 44% de estudo durante o cumprimento da pena. Ou seja, 75% dos detentos paranaenses estão ociosos e 56% não têm oportunidades para se desenvolver profissionalmente.

Uma fatia ainda menor tem possibilidade de passar parte da pena nas condições ideais: com progressão acompanhada, trabalhando e estudando. Esse é o caso de apenas 180 internos que estão, hoje, na Penitenciária Central do Estado (PCE). Desde novembro do ano passado, eles fazem parte do projeto Cidadania nos Presídios, lançado pelo Conselho Nacional de Justiça e executado pelo Departamento Penitenciário do Estado do Paraná (Depen) e o Tribunal de Justiça.

É a chamada Unidade de Progressão. "Essa é uma ideia que nós implementamos de uma forma determinante nesta unidade, já que para lá são transferidos presos que estão na iminência de sair, de concluir seu período para progressão. É feito todo um trabalho preparatório deste preso, ele é classificado e levado para lá", explica o o diretor do Depen, Luiz Alberto Cartaxo.

Participam do programa apenas os presos que são selecionados pelo Judiciário por demonstrar possibilidades reais de ressocialização. "Dez indivíduos que já ganharam a liberdade não voltaram a praticar crimes", garante o secretário de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária, Wagner Mesquita.

Conforme o próprio juiz da Vara de Execuções Penais, Eduardo Fagundes Bueno, a Unidade de Progressão da PCE apresenta bons resultados, porém, ainda é uma exceção, quando deveria ser a regra no sistema penitenciário. "O presídio tem tido um resultado excepcional. Primeiro, porque ele cumpre a lei. Todos os dispositivos da lei de execução penal são observados. Os presos estudam, trabalham, têm assistência social e o contato com a família. Sem dúvida nenhuma, todos os presos têm que ter essa possibilidade de estudo e trabalho", afirma.

Segundo o governo do Paraná, a intenção é instalar Unidades de Progressão em todas as regiões do Paraná, mas ainda não há cronograma previsto.

A partir da iniciativa, o Paraná também firmou uma parceria com a Organização dos Estados Americanos (OEA) para difundir o programa. A expectativa é de que a parceria facilite a captação de recursos e parceiros para o oferecimento de trabalho e estudo nas unidades.