Após paralisação, Sesp anuncia novos equipamentos para a Polícia Civil

Mariana Ohde


Os policiais civis do Paraná deve receber cerca de 7.800 novos coletes balísticos e mais 2 mil equipamentos fornecidos através de convênios. O anúncio foi feito pelo secretário de Segurança Pública do Paraná (Sesp), Wagner Mesquita, durante uma reunião com representantes do sindicato dos policiais (Sinclapol-PR). O processo licitatório para a compra dos coletes deve ser aberto ainda nesta terça-feira (2).

O anúncio foi feito após a categoria paralisar as atividades nesta segunda-feira (1). Para blindar os trabalhadores, o grupo organizou uma doação de sangue em massa em todo o estado, o que garante o dia de folga, conforme previsto em lei. Apenas os serviços de emergência e flagrantes foram mantidos – serviços como boletins de ocorrência e investigações de rotina ficaram parados.

Os novos equipamentos são apenas uma das reivindicações. O secretário estadual de Segurança garantiu que os que estão com validade vencida serão substituídos. “A prioridade é substituir esses coletes que já estão vencidos. Nós fechamos também a doação de dois mil coletes através de um convênio com a Senasp [Secretaria Nacional de Segurança Pública]. Esses coletes já estão em fase final de produção na empresa responsável, serão recebidos nos próximos dias aqui no estado”, afirma.

Outro pedido da categoria é o aumento de efetivo – cerca de 4 mil agentes trabalham nas 500 delegacias do Paraná, algumas já desativadas, mas o ideal seria que o efetivo fosse, pelo menos, de 8 mil servidores.

“Cada delegacia deveria ter quatro equipes, sendo um delegado, um escrivão e dois investigadores, no mínimo, por equipe. Então seria necessário dois mil delegados, dois mil escrivães e oito mil investigadores. Nós não temos isso nem de perto”, diz o presidente da Sinclapol, André Luiz Gutierrez.

Os policias pedem também o fim do acúmulo de função. Hoje, além de atender a população e realizar investigações de crimes, os policiais têm guardado e monitorado presos nas carceragens, o que foge das funções previstas para a categoria. André Luiz Gutierrez explica que a categoria quer chamar a atenção da administração pública estadual e da população para as irregularidades no cumprimento das funções policiais. “A gente está fazendo o que não nos é pertinente, o que não está previsto em lei. A guarda de presos, escolta de presos, conceder visitas. Delegacia é um órgão de tratamento penal. Tudo isso nós vamos combater”, explica. André também menciona a carga horária, que, em alguns casos, como o dos escrivães, tem causado danos “psiquiátricos e psicológicos”.

Em relação à custódia dos presos, a Sesp informou aos representantes do sindicato que estão sendo realizadas 14 obras de construção e ampliação de penitenciárias, sendo que dez dela devem ser entregues no ano que vem e as outras quatro em 2018, o que proporcionaria melhor estrutura. Também foi informado que, recentemente, foram contratados novos agentes penitenciários, que estão tomando posse. Ao todo, serão 2 mil novos agentes, que cuidarão, prioritariamente, dos presos que estão nas delegacias.

A paralisação da Polícia Civil foi encerrada à meia-noite e o atendimento deve ser normalizado nesta terça-feira.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal