Após protestos, policiais que atuam nas olimpíadas vão receber reajuste na diária

Mariana Ohde


Depois da reclamação dos policiais que vão reforçar a segurança durante as Olimpíadas no Rio de Janeiro sobre o atraso no pagamento, o governo federal publicou nesta sexta-feira (15) o decreto que reajusta o valor da diária.

De acordo com o secretário-executivo do Ministério da Justiça e Cidadania, José Levi Mello do Amaral Júnior, o aumento será de 150% no valor da diária de servidores públicos a serviço do governo federal, incluindo agentes da Força Nacional durante o chamado “período olímpico” – de 24 de julho a 22 de agosto deste ano.

Com isso, o valor máximo da diária, que é de cerca de R$ 220, vai passar para R$ 550 no período.

Nesta semana, um grupo de profissionais fez um protesto exigindo a regularização dos valores e também melhorias nas condições estruturais. Além disso, eles também estariam enfrentando dificuldades para se alimentar.

Problemas no alojamento

Os policiais, de diferentes partes do país, estão alocados no conjunto habitacional Vila Carioca, que fica no bairro Anil. Os apartamentos, do programa “Minha Casa, Minha Vida”, ficam entre a Comunidade Gardênia, que seria comandada por milícias, e a Cidade de Deus, dominada pelo tráfico.

A área, na zona oeste da cidade, é isolada e conta com poucos comércios e, por isso, os agentes precisam subir nas comunidades para comprar alimentos.

Receosos, principalmente porque o suposto acordo firmado entre os criminosos e a Força Nacional para que o grupo ficasse lá incluiria a condição de que os policiais não circulariam armados, muitos deles têm preferido ficar com fome. Quem conta é a esposa de um policial civil que pediu para não ter o nome divulgado.

“É uma região afastada, eles foram levados para prédios que estava vazios. Não tinha água, não tinha chuveiro, não tinha nenhum móvel. Dormiram ali até providenciarem, pelo próprio bolso deles, colchões, cobertores”, conta.

“Como eles estão afastados, eles precisam se deslocar para muito longe para poder adquirir alimentos. Então eles precisam subir na comunidade para comprar alimentos. Eles tiveram que fazer um acordo de não estar portando armas”, explica, e complementa, “As pessoas que têm más intenções sabem que ali tem um aglomerado de policiais desarmados”.

Um grupo de agentes paranaenses de cerca de 250 policiais civis e militares e chegou ao Rio no dia 27 de junho. Antes da incorporação à Força Nacional, eles passaram por uma rigorosa seleção e receberam treinamento especial.

Isso não impediu, no entanto, que cerca de 80 homens e mulheres de várias partes do Brasil desistissem da missão.
Um dos paranaenses que está na cidade, e que não quis se identificar, conta que até serviços simples, como a instalação de internet, dependem da vontade dos criminosos.

“A milícia realmente manda aqui. E como a gente está dentro da área deles. Esses dias a gente precisou instalar internet, para rotear para todo mundo. Chegou a empresa, estava instalando a internet, aí diz que o pessoal da milícia falou que essa empresa não pode entrar lá. São as normas que eles têm aqui”, conta.

Melhorias

Nesta quinta-feira (14) à tarde, o comando da Força Nacional e o Ministério da Justiça fizeram mudanças para impedir que mais agentes voltassem para os estados de origem. As escalas foram modificadas e beliches foram disponibilizados. Antes, os policiais dormiam em colchões que eles mesmos tiveram que comprar ou até no chão.

O fornecimento de água também foi normalizado e o governo federal prometeu o envio de mais fardas, já que cada agente tinha recebido apenas uma, o que impossibilitava a troca até por questões de higiene. Em nota, o Ministério Público (MP) destaca que não existe tolerância com atividades criminosas.

As denúncias vão ser apuradas e encaminhadas à Polícia Federal (PF). Ainda de acordo com o MP, as diárias são para suprir alimentação, alojamento e transporte dos profissionais, cujos salários continuam sendo pagos pelas corporações de seus estados de origem.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal