As diferentes e curiosas faces da psicologia

Narley Resende


Bruno Brugnolo

Para muitos, o trabalho do psicólogo ainda se restringe ao atendimento de indivíduos, casais e famílias, que o procuram para resolver problemas cotidianos ou de relacionamento.

“Até hoje existe o estigma que o psicólogo é para louco ou caso clínico e o estereótipo de que usa o divã em seu consultório”, admite Carolina Walger, psicóloga e conselheira do CRP-PR (Conselho Regional de Psicologia do Paraná).

Contudo, a profissão vem crescendo a cada dia e sua atuação já está presente nas mais diversas áreas e locais, como hospitais, trânsito, assistência social, escolas, empresas, esporte, justiça e até meio ambiente.

Em hospitais, o profissional pode ter papel fundamental nos momentos mais difíceis. “O objetivo é auxiliar no acolhimento, na compreensão do diagnóstico e lidar com a doença, pois a situação causa alterações emocionais tanto no paciente quanto na família, e muitos deles ficam abalados”, explica a coordenadora da Comissão de Psicologia Hospitalar do CRP-PR, Giovana Cristina Angioletti.

“É difícil o hospital que não tenha mais psicólogo na equipe. Em algumas instituições eles estão em todos os setores (ambulatórios, enfermaria, etc). Além disso, a realidade curitibana é privilegiada comparada ao país”, disse.

De acordo com Angioletti, a atuação pode começar por solicitação da própria equipe médica, pelos pacientes e familiares ou por conta própria. “Em UTIs é cada vez mais comum a abordagem pró-ativa às famílias e ao internado quanto ele está consciente”.

Angioletti comenta que já se trabalha com indicadores de qualidade para tentar mensurar a influência do serviço na quantidade de dias de internação e no desenvolvimento do tratamento, mesmo que de forma indireta

Já no trânsito, todos os motoristas conhecem a avaliação por que precisam passar para obter a carteira de habilitação, mas o serviço vai muito além.

“O trabalho influi na educação no trânsito, formação de agentes e também é feito com motoristas de cargas perigosas, ônibus, idosos, entre outros”, conta o coordenador da Comissão de Mobilidade Humana e Trânsito do CRP-PR, Hugo Nascimento Rezende.

Pessoas com fobia de dirigir, estresse ou trauma relacionados ao volante, ou quem perdeu entes queridos no trânsito também procuram ajuda no serviço para superar o medo ou perda.

Segundo Hugo, o Brasil é o quarto país que mais mata nos trânsito. “São 45 mil mortes ano e outros 500 mil sequelados ao ano. A intervenção é fundamental para mudança de comportamento”, afirmou.

Entre as áreas menos conhecidas da psicologia está a do meio ambiente, que estuda a relação do homem com o ambiente ele onde vive. “É uma via de mão dupla. A pessoa transforma o ambiente e o ambiente transforma a pessoa: os dois são sujeitos de análise”, explica Eduardo Chierrito de Arruda, coordenador da Comissão de Psicologia Ambiental da subsede do CRP- -PR, em Maringá.

A perspectiva multidisciplinar a envolve com outras áreas de estudo, tais como a engenharia e gestão ambiental, sociologia, antropologia, paisagismo, design, arquitetura, urbanismo, entre outras. “São várias linhas de atuação em ambientes construí- dos ou naturais, visando a promoção da sustentabilidade, saúde e melhores disposição dos espaços físicos”, diz Chierrito.

Outros aspecto abordado é prevenção pré e pós desastres, sejam de ordem natural ou não. “Tenho uma amiga que ficou duas semana em Chapecó no ano passado trabalhando voluntariamente com as famílias do acidente aéreo com a Chapecoense. O estado de sofrimento era muito grande”, relembra Walger.

“Psicologia é com Psicólogo”

Em comemoração ao Dia do Psicólogo, no dia 27 deste mês, o CRP-PR realiza nas redes sociais a campanha “Psicologia é com Psicólogo”, para ressaltar a importância da profissão, vista às vezes de maneira leiga, para a sociedade.

“Sempre tem a história do taxista meio psicólogo, a manicure meio psicóloga, o advogado meio psicólogo, mas não existe meio. É necessário o profissional com capacitação”, diz Walger.

Segundo a psicóloga, apesar de tantas atuações, muitos nem sabem que podem acessar o serviço. “Tem a questão de ser elitizado, para madame que tem tempo livre, mas os psicólogos também estão no SUS e todos podem fazer uso dele”, argumenta.

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