Associação condena ataques a jornalistas após declarações de Bolsonaro

Folhapress


A ANJ (Associação Nacional de Jornais) emitiu nota nesta terça-feira (30) condenado “toda e qualquer iniciativa que vise a intimidar o livre exercício do jornalismo ou pretenda afrontar o direito constitucional ao sigilo da fonte”.

A entidade reforça a defesa pela liberdade de imprensa e sua importância para o funcionamento da democracia.

O texto também afirma que a ANJ espera o respeito a esses princípios em relação aos veículos que têm participado da cobertura de vazamentos de conversas relacionadas à Operação Lava Jato.

O teor de mensagens entre procuradores da Lava Jato e o ex-juiz Sergio Moro (hoje ministro da Justiça) vem sendo publicado pelo site The Intercept Brasil e outros veículos, incluindo a Folha de S.Paulo. As primeiras vieram à tona em 9 de junho, em reportagem do Intercept.

No sábado (27), o presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse que Glenn Greenwald, fundador do Intercept, “talvez pegue uma cana aqui no Brasil”. Ele também insinuou que o jornalista teria cometido um crime e que a publicação das conversas teria envolvido dinheiro.

O Intercept afirma que as mensagens foram obtidas por fonte anônima e que não houve pagamento pelo conteúdo recebido. Glenn e a equipe do site têm dito que não fazem comentários sobre suas fontes.

Sobre sigilo da fonte, o artigo quinto da Constituição afirma: “É assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional”.

Leia íntegra da nota da ANJ:

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) condena toda e qualquer iniciativa que vise a intimidar o livre exercício do jornalismo ou pretenda afrontar o direito constitucional ao sigilo da fonte.

A defesa enfática da liberdade de imprensa e do sigilo da fonte é compromisso histórico da ANJ. São princípios básicos da democracia.

A ANJ espera que esses princípios sejam respeitados em relação à cobertura que diferentes veículos de comunicação vêm dando a vazamentos de conversas relacionadas à Operação Lava Jato.

Ao mesmo tempo, a ANJ considera que o trabalho de investigação policial sobre eventuais ilegalidades cometidas na obtenção de informações relacionadas à Lava Jato é necessário e ocorre dentro da normalidade.

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