Atirador que matou 6 nos EUA era rapper e descrito como 'estranho' e 'deprimido'

O ataque nos arredores de Chicago foi o 15º episódio do tipo neste ano que deixou mortos e múltiplos feridos nos Estados Unidos.

Folhapress - 05 de julho de 2022, 11:38

Foto: Reprodução/Twitter
Foto: Reprodução/Twitter

Robert E. Crimo III, 22, o homem acusado de matar seis pessoas e ferir dezenas a tiros durante celebração do dia da independência dos EUA nos arredores de Chicago, era um rapper local e membro de uma família conhecida na pequena cidade de Highland Park, onde o crime ocorreu nesta segunda-feira (4).

O jovem, que atualmente estava desempregado, publicava conteúdos no Youtube e outras plataformas e não teria dado sinais à família de que poderia realizar ações como essa, disse um tio de Crimo à rede CNN. "Ele é um garoto quieto, sozinho, guarda tudo para si."

Os conteúdos publicados por Crimo, que foi detido pela polícia, foram excluídos da internet pelas plataformas responsáveis. Mas jornais americanos que acessaram os vídeos antes de serem deletados os descreveram como repletos de indícios de violência armada.

Foto: Divulgação/FBI

Em um de seus vídeos que contabilizava mais notificações, intitulado "Are you Awake" (você está acordado), uma animação mostra um homem atirando com um rifle. Em outro, "Toy Soldier" (soldado de brinquedo), um personagem aparece deitado de bruços em uma poça de sangue, cercado de policiais, segundo descrição da CNN.

Paul A. Crimo, o tio do jovem, afirma que seu irmão havia concorrido à Prefeitura de Highland Park e tem boas relações com muitos na cidade. Crimo era conhecido como "Awake The Rapper".

Não está claro se o jovem tinha afiliações políticas. Bennett Brizes, que se tornou amigo de Crimo por volta de 2015, disse ao Washington Post que ele era "apolítico" e que, quando questionado sobre episódios atuais da política, o amigo apenas respondia "cara, eu não sei". Os dois perderam contato em 2019, mas Brizes descreve Crimo como alguém que estava deprimido e era descrito como estranho pelos demais.

O ataque na pequena Highland Park foi o 309º tiroteio em massa e o 15º episódio do tipo neste ano que deixou múltiplos feridos nos Estados Unidos, segundo dados do Gun Violence Achieve, projeto que desde 2013 monitora diariamente a violência armada no país.

O governador de Illinois, onde está a cidade, J.B. Pritzker, pediu em comunicado que as pessoas orem pelas famílias que foram diretamente afetadas pelo episódio. Mas ele, um democrata, logo advertiu: "Orações sozinhas não vão encerrar o terror da violência armada no nosso país; nós devemos e vamos acabar com essa praga".

O estado tem a sexta lei de segurança de armas mais rígida dos EUA e a nona taxa de posse de armas, de acordo com a ONG Everytown for Gun Safety, que advoga pelo maior controle das armas de fogo. Há, por exemplo, checagem de antecedentes para a compra de revólveres.

"Ainda que um líder na promulgação de leis de prevenção de violência armada, Illinois continua a experimentar uma taxa inaceitável de violência, perto da média nacional", diz a ONG. A explicação, afirma, estaria no fato de o estado estar cercado por regiões com leis muitos mais fracas, como Indiana. "Uma parcela enorme de armas traficadas e recuperadas em Illinois foi comprada fora do estado", informa o site.

Há pouco menos de um mês, o governador Pritzker sancionou uma lei que proíbe a venda e a posse das chamadas "armas fantasmas" –aquelas sem número de série que, geralmente, são vendidas desmontadas, o que ajuda a driblar a burocracia.

"Aqueles que criam, vendem e compram essas armas sabem que estão trabalhando para contornar as leis que asseguram que armas de fogo ficarão longe de traficantes e abusadores", disse ele na ocasião.

A maior parte das vítimas do episódio ainda não foi identificada. Um dos que morreram, Nicolas Toledo, tinha 76 anos e estava sentado em sua cadeira de rodas quando foi baleado ao menos três vezes, disse sua neta Xochil ao jornal The New York Times.

A família criou um financiamento coletivo em uma plataforma online para arrecadar dinheiro para enviar o corpo de volta para o país natal de Nicolas, o México. Mais de US$ 36 mil (R$ 193 mil) haviam sido arrecadados até a manhã desta terça (5).

Outra das vítimas é Jacki Sundheim, que colaborava com uma sinagoga em Chicago. "O trabalho, a gentileza e o afeto de Jacki tocaram a todos nós, sempre com uma dedicação incansável", disse a Congregação Israelense de North Shore em um comunicado.

Ao canal WGN9 uma testemunha afirmou que, ao ouvir os tiros e ver as pessoas correndo, chegou a esconder seu filho em uma lixeira para que pudesse ir à procura dos demais familiares.

  • Veja também: