Autorizado o uso das Forças Armadas para reforçar segurança no Rio de Janeiro

Com a Agência Brasil O uso das Forças Armadas no Rio de Janeiro, para auxiliar o policiamento das ruas em meio à ..

Julie Gelenski - 14 de fevereiro de 2017, 10:54

Com a Agência Brasil

 O uso das Forças Armadas no Rio de Janeiro, para auxiliar o policiamento das ruas em meio à mobilização das mulheres de policiais militares,  foi autorizada pelo presidente Michel Temer.

 O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, foi recebido na segunda-feira (13) por Temer, no Palácio do Planalto, para discutir o assunto.

No momento, o governo trabalha no planejamento da ação para decidir quantos militares serão enviados ao estado ou deslocados para essas atividades.

Também estão sendo estudados os locais em que atuarão e a data de início das ações, prevista inicialmente para esta terça-feira (14).

A autorização é a mesma concedida na semana passada para uso das tropas no Espírito Santo, onde familiares de policiais impediam a saída de viaturas em forma de protesto.

Entenda o caso

Manifestantes  acamparam  e bloquearam, na manhã de segunda-feira (13), a entrada do Batalhão de Choque, no centro do Rio de Janeiro. Com uma farda manchada de vermelho e faixas pedindo melhores condições de trabalho para policiais militares, as mulheres impediram a entrada e saída do prédio, onde funcionam unidades como o Choque e o Batalhão de Policiamento em Grandes Eventos.

Do lado de fora, dezenas de policiais que começariam seus turnos na manhã de hoje aguardam na calçada.

As manifestantes cobram o pagamento de horas extras do segundo semestre de 2016, incluindo as dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. O governo do estado também deve aos policiais o pagamento do décimo terceiro salário e de prêmios por cumprimento de metas.

"A gente só vai sair quando pagarem tudo que prometeram. A gente não quer nada absurdo, só o que eles estão devendo", disse a mulher de policial militar que não quis se identificar. "Meu marido tem que pegar dinheiro comigo para ir trabalhar. O cartão de crédito dele eu já nem sei mais como está, virou uma bola de neve".

Segundo a mulher, o protesto tem recebido apoio da população: todos os mantimentos consumidos no acampamento são doados.

Um policial que não quis se identificar disse que é casado com uma policial militar e que a família tem sofrido com o atraso dos dois pagamentos. "O que tem me sustentado é a minha esposa vendendo cosméticos. Eu nunca imaginei que fosse passar por isso tendo três filhos."

Na porta do 6º Batalhão de Polícia Militar, na Tijuca, três mulheres controlam a entrada e saída de militares e viaturas. Sem se identificar, elas disseram que fizeram um acordo com o comandante do BPM para permitir que um efetivo mínimo policie as ruas da região.

"Para garantir a segurança da Tijuca e da Grande Tijuca, um efetivo mínimo de policiais está nas ruas, com policiais equipados", informou uma das mulheres dos policiais. "Não vamos sair daqui enquanto as reivindicações não forem atendidas."

As manifestantes, que dizem ter apoio da população, estão revistando os policiais e os carros que deixam o batalhão, para impedir que saiam com fardas e armas escondidas.

"Eles falam que a causa é justa e que o policial não pode ser tratado como é tratado", relatou uma delas, que enumerou problemas como a falta de coletes à prova de bala. "O policial hoje não faz concurso pra ser PM, faz concurso para ser alvo de bandido."

Por meio de nota, a Polícia Militar do Rio de Janeiro informou que batalhões com deficiência no efetivo estão recebendo apoio de outras unidades.

"A Polícia Militar está utilizando de todos os meios disponíveis para colocar o policiamento nas ruas em locais onde há impasse com os manifestantes. Porém, reforçamos que estamos em diálogo constante com as lideranças a fim de conscientizar sobre a importância da saída do policiamento."

O Governo do Rio Informou que pagou os salários atrasados dos servidores

O governo do Rio de Janeiro depositaou nesta terça-feira (14) os salários integrais de janeiro dos servidores da educação, segurança e administração penitenciária, além dos bombeiros. No caso dos servidores da educação, será depositado o valor apenas para os ativos. Para os demais setores, serão beneficiados também os aposentados e pensionistas.

O valor líquido a ser depositado é R$ 920 milhões. Neste mês, os salários serão pagos com os reajuste estabelecido em 2014: agentes da polícia civil (10,22%), bombeiros e policiais militares (7,65%), agentes penitenciários (3,24%) e delegados da Polícia Civil (3,3%).

Os aumentos salariais, estabelecidos em 2014, devem ser pagos em cinco parcelas, das quais cinco já foram concedidas. Os dois reajustes restantes serão pagos em 2018 e 2019.