Quatro pessoas são presas em operação envolvendo avião de Eduardo Campos

Narley Resende


Quatro pessoas foram presas durante operação da Polícia Federal, na manhã desta terça-feira (21). Foram expedidos cinco mandados de prisão e uma pessoa é considerada foragida.

Os empresários presos são Eduardo Freire Bezerra Leite, João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho, Apolo Santana Vieira, Arthur Roberto Lapa Rosal. O quinto mandado de prisão preventiva foi expedido para Paulo César de Barros Morato, considerado foragido, pela PF.

A Operação Turbulência foi deflagrada para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro em Pernambuco e Goiás, que teria movimentado mais de R$ 600 milhões desde 2010.

João Carlos Lyra e Eduardo Freire foram presos enquanto desembarcavam em São Paulo. Eles foram levados de volta a Pernambuco pela PF e chegaram na sede da corporação no Recife às 9h50, aproximadamente.

Os outros dois empresários foram presos em Pernambuco; Apolo Vieira estava em uma academia no bairro de Boa Viagem, no Recife, no momento da abordagem, e Arthur Rosal foi detido em casa, no município de Vitória de Santo Antão, em Mata Norte, no interior do estado.

O ponto de partida da investigação foi a análise de movimentações financeiras suspeitas detectadas nas contas de algumas empresas envolvidas na aquisição da aeronave (Cesnna Citation PR-AFA) que transportava o ex-governador de Pernambuco e então candidato à Presidência da República, Eduardo Campos (PSB), em seu acidente fatal.

A PF constatou que essas empresas eram de fachada, constituídas em nome de “laranjas”, e que realizavam diversas transações entre si e com outras empresas fantasmas, inclusive com algumas firmas investigadas na Operação Lava Jato.

Há suspeita de que parte dos recursos que transitaram nas contas examinadas serviam para pagamento de propina a políticos e formação de “caixa dois” de empreiteiras. O esquema criminoso sob apuração encontrava-se ativo, no mínimo, desde o ano de 2010.

Busca e apreensão

Além dos mandados de prisão preventiva, foram cumpridos também 35 mandados de busca e apreensão e 16 mandados de condução coercitiva. Também foram recolhidas 3 aeronaves (2 helicópteros e um avião), avaliadas em R$ 9 milhões, e R$ 10 mil dólares em dinheiro também foram apreendidos.

Os mandados foram cumpridos no Recife, em Jaboatão dos Guararapes, Paulista, Moreno, Vitória de Santo Antão e Lagoa de Itaenga.

Acidente

No dia 13 de agosto de 2014, por volta das 10h, a aeronave Cessna 560 XL, prefixo PR-AFA, caía no meio de uma área residencial do bairro Boqueirão, em Santos, no litoral paulista.

A bordo estavam o então candidato do PSB à Presidência da República nas eleições de outubro 2014, Eduardo Campos, de 49 anos, e mais seis pessoas: o assessor Pedro Almeida Valadares Neto, o assessor de imprensa Carlos Augusto Ramos Leal Filho (Percol), Alexandre Severo Gomes e Silva (fotógrafo), Marcelo de Oliveira Lyra (assessor da campanha) e os pilotos Marcos Martins e Geraldo da Cunha. Todos morreram.

O avião pertencia ao grupo A. F. Andrade, dono de usinas de açúcar, que está em recuperação judicial por conta de dívidas de R$ 341 milhões. A aeronave só poderia ser vendida com autorização da Justiça, o que não ocorreu.

O comprador, João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho, é usineiro e já recebeu multas do governo por não comunicar suspeitas de lavagem de dinheiro quando tinha uma financeira. Ele assumiu uma dívida de US$ 7 milhões com a fabricante Cessna.

Como a aeronave continua em nome do grupo A. F. Andrade, os investigadores desconfiam que credores foram burlados.

A lei de recuperação de judicial determina que todo valor arrecadado seja usado para pagar as dívidas.

Comoção 

A morte abrupta do político provocou comoção em Pernambuco. Milhares de pessoas, de diversas regiões do estado, foram até Recife acompanhar as cerimônias fúnebres, que duraram quatro dias.

Personalidades do mundo político, como a presidenta Dilma Rousseff, que concorria à reeleição, o candidato tucano Aécio Neves e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participaram do velório, no Palácio das Princesas, sede do governo pernambucano.

No dia 17, o corpo de Eduardo Campos foi enterrado no Cemitério de Santo Amaro, no mesmo túmulo do avô, que morreu no dia 13 de agosto de 2005.

Com a morte de Campos, considerado um político habilidoso por aliados e adversários, o PSB, depois de dias de indefinição, decidiu que a então vice da chapa, a ex-ministra Marina Silva, seguiria na disputa ao Palácio do Planalto.

Em meio à comoção pela morte do companheiro de coligação, Marina Silva chegou a ultrapassar o tucano Aécio Neves.

Uma das frases usada por Campos na campanha, dias antes do acidente, foi usada com exaustão nos dias seguntes à sua morte. Eduardo Campos disse “não vou desistir do Brasil”.

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