Balneário Camboriú triplica faixa de areia engolida por construções à beira-mar

Katna Baran - Folhapress

Praia aumentada em Balneário Camboriú

A falta de sol, causada pelos famosos arranha-céus, e a estreita faixa de areia da praia que carimbam um dos principais pontos turísticos do litoral catarinense estão com os dias contados. Em apenas dois dias de trabalho, uma megaestrutura contratada para o alargamento da praia central de Balneário Camboriú já provocou mudanças na paisagem local.

A intenção é retomar o cenário perdido ao longo de 70 anos de desenvolvimento da cidade e transformá-lo na segunda maior em faixa de areia do Brasil, perdendo apenas para Copacabana, no Rio de Janeiro.

Hoje, são 25 metros de espaço até o mar. O objetivo é triplicar o trecho, chegando a 75 metros de areia -com possibilidade de retração de até 5 metros após um período de assentamento.

Os trabalhos devem seguir até novembro e chamam a atenção dos moradores diante da complexidade e da amplitude. As primeiras imagens da obra, iniciada no domingo (22), já mostram uma expansão considerável do trecho central da praia.

A areia nova chega à praia pela draga Galileo Galilei, navio de origem belga, mas que atracou de Singapura, e é operado por uma tripulação especializada de 28 homens. A estrutura, que trabalha 24 horas, já deslocou 120 mil m³ de areia em dois dias. O volume total previsto no projeto é de 2,155 milhões de m³.

“É uma obra de engenharia hidráulica não muito comum no nosso país, mas a nível mundial é bem recorrente, até porque existem eventos externos em outros países que não temos aqui”, explicou o Rubens Spernau, um dos engenheiros que acompanha a obra.

A areia é coletada em até 40 metros de profundidade em uma jazida que fica a 15 km da praia. Cerca de 13,5 mil m³ do material são carregados por uma cisterna até o ponto de junção da draga, a cerca de 2 km do ponto de descarregamento. Uma tubulação submersa faz então o trabalho final de fazer chegar a areia à praia.

O ciclo permite que a draga faça até quatro viagens por dia. Spernau explica que, por estar molhada, a areia extraída é mais escura, mas, com a ajuda do sol, em pouco tempo ela deve atingir a mesma coloração do restante da praia.

Uma inovação do projeto é a possibilidade de acompanhar a obra em tempo real por meio de 13 câmeras instaladas na orla da praia. “Tudo vai se reverter num documento histórico e dá mais transparência à obra”, apontou o engenheiro.

A recuperação da faixa de areia da praia central é uma demanda antiga dos moradores e turistas de Camboriú. Projetos foram apresentados desde a década de 1990 e, em um plebiscito realizado há 20 anos, 71% da população se manifestou favoravelmente à obra.

O plano de execução do atual projeto foi custeado por um grupo de empresários locais e a obra, estimada em R$ 66 milhões, foi possível por meio de um empréstimo do Banco do Brasil.
Spernau afirma que o processo de encolhimento da faixa de areia de Camboriú não é culpa apenas das famosas construções na beira da praia central, que fizeram a cidade ficar conhecida como a “Dubai brasileira”.

“O Brasil sofre com um problema de erosão marinha em praticamente toda costa e obras de recuperação de praia como esta devem ser cada vez mais frequentes”.

A ampliação da faixa de areia é a primeira parte de um projeto de reurbanização de Balneário Camboriú, que contempla a instalação de novos equipamentos de lazer, além de praças e parques. Esta etapa do plano só deve ser iniciada após a temporada de verão.

Tirando a proposta do papel, o prefeito Fabricio Oliveira (Podemos) espera, inclusive, a redução da frequente comparação da cidade com outros pontos turísticos.

“Não é Dubai, não é Miami, aqui é Balneário Camboriú, com uma obra com suas características e singularidades. Creio que logo não vamos ter mais títulos e quem sabe outras cidades vão poder dizer que são Balneário Camboriú.”

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