Brincadeira não tem regras e nem hora marcada

Mariana Ohde


As brincadeiras infantis, como o pular corda, a amarelinha, a roda cutia, o passa anel, entre tantas outras que fizeram a alegria da garotada em décadas passadas perderam espaço para a tecnologia. O fácil acesso aos viodeogames e tablets, por exemplo, fez com que algumas formas de brincar até fossem esquecidas. As agendas superlotadas dos pais e dos próprios pequenos também dificultam os momentos de diversão e lazer em família.

A psicopedagoga do Hospital Pequeno Príncipe, Patricia Bertolini Izidorio, faz um alerta: é preciso diversificar as brincadeiras de infância e de proporcionar tempo livre às crianças. “Muitos pais acreditam que os pequenos não podem ficar sem fazer nada, quando na verdade é a ociosidade que dá espaço para a criatividade em busca de novas brincadeiras, descobertas sobre o mundo e, principalmente, o desenvolvimento integral do público infantil”, destaca.

A profissional reforça que, para brincar com qualidade, a criança não precisa, necessariamente, de um brinquedo moderno. “A voz, um livro, lápis, papel ou objetos diversos permitem que os pequenos usem a imaginação e estabeleçam a saúde física, emocional e intelectual”, pontua. O incentivo dos pais, irmãos e amigos, bem como a participação deles no brincar também fazem toda a diferença para fortalecer o vínculo familiar, testar os limites dos pequenos, criar coragem, desenvolver a confiança, a coordenação motora, o raciocínio lógico, a comunicação, bem como várias outras capacidades e competências.

Frente à realidade das tecnologias, a psicopedagoga explica que não há problema em deixar um tempo para os jogos eletrônicos, pois também são importantes para desenvolvimento infantil. Mas, os pais precisam ficar muito atentos com o conteúdo dos jogos, os valores que podem ser assimilados e a duração desse tipo de brincadeira.

Brincar faz bem

A brincadeira também tem o poder de mudar a relação da criança com até mesmo com situações delicadas, como a hospitalização. Brincando, o paciente fortalece o seu estado emocional, mostrando-se mais animado com do tratamento em busca da recuperação. Esse é o resultado de uma pesquisa desenvolvida com crianças de 7 a 11 anos internadas do Hospital Pequeno Príncipe. “Dentre as reações que se evidenciaram, destaque para a alegria, disposição, maior interação com o acompanhante e com as pessoas ao redor e entusiasmo pelo brincar”, destaca a responsável pela pesquisa e coordenadora do setor de Voluntariado do Hospital, Rita Lous. Por meio de brinquedotecas, materiais criativos, jogos, brinquedos, livros, filmes, entre outros, o hospital disponibiliza para as crianças e acompanhantes estes momentos de descontração. A instituição também mantém o Disk-Brinquedo, em que voluntários levam materiais para as crianças diretamente nos quartos, quando não podem sair. As informações foram divulgadas em ocasião do Dia Mundial do Brincar, comemorado no dia 28 de maio.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal