“Se ele se considera inocente, por que não quer ser julgado?”, avalia acusação sobre Manvailer

Mirian Villa

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Na próxima semana, o caso Tatiane Spitzner ganha um novo capítulo: o júri popular de Luis Felipe Manvailer, acusado de ter matado a advogada. Essa é a terceira vez que a sessão é remarcada desde dezembro de 2020.

A última tentativa de julgamento aconteceu em fevereiro de 2021, quando a defesa do réu abandonou o plenário e alegou ter o “trabalhado cerceado”, ou seja, restringido. Em conversa com o advogado da família Spitzner, Gustavo Scandelari avaliou a postura da defesa de Manvailer como contraditória.

“Se ele se considera inocente, por que não quer ser julgado? Quem se considera inocente e conta com a possibilidade de ser solto quer que o julgamento ocorra o quanto antes. Nós temos visto que não é esse o verdadeiro desejo da defesa até então”, argumentou Scandelari.

Apesar da surpresa do abandono de plenário, a acusação já imaginava que a defesa do réu poderia tentar realizar alguma artimanha, avaliando previamente o histórico das ações deles no caso.

Porém, no próximo 4 de maio, data que o júri foi remarcado, um advogado dativo foi nomeado pela Justiça, garantindo assim que o julgamento não seja cancelado caso ocorra um novo abandono.

Para Scandelari, a primeira luta entre defesa e acusação aconteceu horas depois do crime, para impedir que fosse colocado sigilo nos vídeos que flagram agressões contra a advogada no carro, garagem e elevador.

“A primeira grande iniciativa dele não foi pedir a liberdade, foi tentar proibir a Justiça de tornar o processo público, como deve ser. Ele é julgado pela sociedade, por representantes da sociedade, então claro que todos devem conhecer o que acontece no caso”, relembrou a cena que chocou o Brasil em julho de 2018 (assista abaixo).

A expectativa da família Spitzner, que aguarda a resposta do julgamento desde 2020, é que Manvailer seja condenado com uma pena alta. “É a única resposta que parece justa o suficiente para a família”, argumenta Scandelari.

Manvailer vai responder por homicídio qualificado, com as qualificadores de feminicídio, morte mediante asfixia e motivo fútil, além de fraude processual.

ENTENDA O CASO TATIANE SPITZNER E ACUSAÇÃO CONTRA LUIS FELIPE MANVAILER

O professor de biologia é acusado de matar a esposa no dia 22 de julho de 2018, quando a advogada foi encontrada morta, durante a madrugada, no apartamento onde o casal morava, em Guarapuava, na região central do Paraná.

Na época, a PMPR (Polícia Militar do Paraná) afirmou que recebeu um chamado de que uma mulher teria saltado ou sido jogada de um prédio. Chegando no local, os agentes encontraram sangue do lado de fora do prédio. Imediatamente, subiram até o apartamento onde o casal morava e encontraram a advogada já sem vida. Porém, seu marido não estava na residência.

Manvailer só foi preso horas depois, na BR-277, na região oeste do Paraná, depois de se envolver em um acidente. Na época, a PRF (Polícia Rodoviária Federal) informou que o homem estava desnorteado.

A defesa do acusado sustenta que Tatiane se jogou do prédio, já que o casal tinha um relacionamento “feliz”, que estava em seu quinto ano. Porém, um laudo do IML (Instituto Médico Legalaponta a causa da morte para asfixia mecânica por esganadura.

“O principal meio de conclusão foi o exame de necropsia, realizado na data do fato. Ela tinha marcas no pescoço que foram fotografadas e documentadas (…) há um acervo de fotografias extremamente extenso apontando que houve luta entre as partes antes da morte”, afirmou Paulino Pastre, diretor do IML na época do crime.

Em agosto de 2018, o MP-PR (Ministério Público do Paraná) denunciou Luis Felipe Manvailer. De acordo com o documento, o professor matou a esposa depois de inúmeras agressões físicas que foram iniciado após um desentendimento em virtude de mensagens em redes sociais.

“O denunciado, ao matar a vítima, agiu mediante recurso que dificultou a sua defesa, em razão da sua superioridade física em face da ofendida e das agressões contínuas e progressivas que inibiram a possibilidade de reação por parte desta”, consta no documento.

Em março de 2019, o acusado foi interrogado, mas optou por permanecer em silêncio. Em sua breve declaração, apenas negou que tenha matado a esposa e afirmou que a família da advogada influenciou algumas testemunhas.

Luis Felipe Manvailer e Tatiane Spitzner estavam casados há cinco anos quando o crime aconteceu (Reprodução/Facebook)

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