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Catedral Basílica batiza três filhos de casal gay

Bruno Brugnolo, Metro Jornal Curitiba Há dois anos, Toni Reis e David Harrad foram protagonistas de uma decisão h..

Narley Resende - 26 de abril de 2017, 07:36

Bruno Brugnolo, Metro Jornal Curitiba 

Há dois anos, Toni Reis e David Harrad foram protagonistas de uma decisão histórica do STF (Supremo Tribunal Federal). Por meio da ministra Carmen Lúcia, a mais alta instância da Justiça brasileira colocou um ponto final no processo do casal – que já durava dez anos – e reconheceu o direito de adoção a casais homossexuais.

No último domingo, o casal deu outro importante passo na formação da família que construiu. Jéssica, 14, Filipe, 12, e Alyson, 16, os três filhos deles, foram batizados na Catedral Basílica Menor Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, em Curitiba.

“Foi todo um processo. Eu sou católico, o David é anglicano, então primeiro acertamos isto. Depois conversamos com as crianças, que levou mais um tempo, e por fim fui procurar as igrejas”, explicou Reis, que frequenta missas no primeiro domingo de cada mês com a família.

Segundo ele, a tarefa não foi das mais fáceis. “Tive dificuldades com algumas assessorias de padres nas paró- quias. Então, para não falar que foi preconceito, fui até o arcebispo de Curitiba ”, brincou Reis.

Esta será a primeira vez que os jovens vão conhecer os tios e primos ingleses. Alyson já fala inglês e os irmãos mais novos estão fazendo um curso intensivo da língua.

Histórico

O casal Toni Reis e David Harrad está junto há 27 anos e há mais de duas décadas luta por igualdade de direitos. De 1991 a 2004, Harrad ficou no Brasil com vistos de turista, temporário e por vezes ilegal – a Polícia Federal chegou a dar prazo de oito dias para ele deixar o país em 1996.

Até que em 2005, após denúncia ao Conselho Nacional de Combate à Discriminação, uma resolução do Conselho Nacional de Imigração permitiu a concessão de visto permanente a companheiros estrangeiros, independente do sexo.

Um ano antes, o casal havia assinado uma declaração de convivência marital em cartório na capital paranaense, mas a confirmação do casamento só veio em 2011, quando o STF reconheceu a união estável de pessoas do mesmo sexo –  decisão que abriu as portas para adoção.

Os dois deram entrada para adoção em 2005, mas devido a um vaivém da Justiça, o primeiro adotado – Alyson – só entrou para a família em 2012. Jéssica e Filipe, irmãos de sangue, foram adotados dois anos depois.