Ciclista que sofreu traumatismo recebe crânio confeccionado por impressora 3D no PR

Juliana Goss - BandNews FM Curitiba


Um ciclista atropelado em Foz do Iguaçu, no oeste do Estado, teve o formato do crânio reconstituído por meio de uma técnica inédita na cidade. Ele recebeu um molde que foi totalmente construído por uma impressora 3D. O método foi desenvolvido pelo Hospital Ministro Costa Cavalcanti, gerido por uma fundação ligada a Itaipu Binacional.

O estudante nascido em Moçambique, Arcenio Agostinho, de 21 anos, foi submetido à cirurgia de reconstrução de calota craniana com a utilização de uma prótese em 3D, customizada e produzida exclusivamente para ele. O procedimento é indicado para a reconstrução de falhas do osso do crânio, que podem ocorrer devido a tumores ou ao traumatismo craniano, como foi o caso de Arcenio.

O estudante sofreu um acidente de bicicleta. Ele conta que não teve medo da cirurgia e que se surpreendeu com o resultado do trabalho dos médicos. “Pior é que não fiquei com medo, porque é aquela história não adianta ficar com medo ia ter que fazer da mesma forma. Sempre dá aquela pressão, aquela ansiedade, mas não foi bem um medo. Confiei em Deus e deu certo. E deu certinho as próteses, acabou com todas as saliências que eu tinha na cabeça. E achei incrível que a medicina tenha avançado tanto”, contou.

Arcênio está no Brasil desde 2015 e veio para estudar. A cirurgia mudou a trajetória de vida dele para sempre. “Antes da cirurgia meu sonho era ser médico, depois da cirurgia eu quero ser a pessoa que me salvou: um neurocirurgião para salvar outras pessoas”, disse.

A reconstituição do crânio de Arcênio foi feita com acrílico. O procedimento ainda é considerado raro no Brasil, porque custa caro, em média R$ 50 mil. O médico neurocirurgião que realizou a cirurgia, Elton Gomes, numera as vantagens do uso da tecnologia em procedimentos tão delicados como esse. “Primeiro o benefício é estético, porque fica mais simétrico e perfeito. Ele se encaixa perfeitamente ao osso. E depois o benefício de proteger o cérebro, que o mais importante. Antes era só pele que protegia”, explicou.

Outra vantagem da utilização da prótese feita pela impressora 3D é que a recuperação do paciente costuma ser rápida. Depois de apenas dois dias internado, Arcênio já foi liberado. Para desenvolver a prótese, foi realizada uma tomografia, na qual foi identificada a falha no crânio do paciente.

Um software faz um desenho e um molde em três dimensões para preencher a falha óssea. Com isso, a peça é projetada para ficar perfeitamente encaixada.

Previous ArticleNext Article