Cirurgia robótica de joelho: mitos e verdades sobre esse procedimento

Realizado no Brasil há pouco mais de um ano, procedimento colocação de prótese no joelho ainda desperta algumas dúvidas nos pacientes com artrose.

Redação - 13 de maio de 2022, 11:47

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Cirurgias sempre causam sentimentos diversos nas pessoas, seja por receio de não dar certo ou pela expectativa de uma rápida recuperação. Essas reações, aliadas à novidade da tecnologia robótica na Medicina, aumentam ainda mais as dúvidas e as curiosidades dos pacientes.

Podemos afirmar que o Brasil é hoje um dos primeiros países da América Latina a oferecer acesso aos pacientes de um inovador sistema robótico usado como auxiliar na cirurgia para colocação de prótese no joelho, também chamada de artroplastia total do joelho.

O sistema robótico ROSA® Knee foi desenvolvido pela Zimmer Biomet, empresa multinacional americana e líder global em saúde musculoesquelética, representada pela Medicalway Equipamentos Médicos, em Curitiba.
 
Segundo o Dr. Fabiano Kupczik, médico ortopedista especialista em cirurgia do joelho no Hospital Marcelino Champagnat em Curitiba, atualmente a nova tecnologia robótica é usada na ortopedia para a colocação de uma prótese total no joelho. Em breve, este sistema robótico também estará disponível para colocação de prótese parcial no joelho (unicompartimental) e prótese total do quadril.

“A indicação da nova tecnologia robótica é principalmente para pacientes com artrose em estágios mais avançados no joelho e nos quais o tratamento conservador ou não cirúrgico já não tem mais eficácia, com o paciente sentindo muita dor devido à deformidade no joelho, limitação da mobilidade articular e dificuldade para caminhar. Então, este quadro de artrose no joelho leva à indicação da cirurgia de prótese, sendo que a robótica pode auxiliar o cirurgião na maioria destes casos”, explica o médico.

Artroplastia total do joelho realizada com auxílio de tecnologia robótica.
Foto: Reprodução

 

Trata-se de uma cirurgia complexa que consiste na substituição da articulação afetada por um implante formado por peças metálicas e um polietileno, a chamada prótese total do joelho. Esta prótese é fixada ao osso por meio de um cimento especial. Salienta-se que a cirurgia robótica é uma evolução da ciência e da Medicina e que traz instrumentos de grande precisão para auxiliar o cirurgião e melhorar a recuperação dos pacientes.
 

ARTROPLASTIA DO JOELHO

Não há como negar que a medicina caminha cada vez mais próxima da tecnologia e seus avanços devem ser levados aos pacientes que precisam tratar principalmente a dor. Então, a artroplastia do joelho é uma cirurgia que evoluiu muito nos últimos anos e, agora, muitos profissionais da ortopedia se especializam em técnicas refinadas como a robótica, que já acontece no país há pouco mais de um ano, desde a chegada do primeiro sistema voltado para esta prática.

A diferença entre a cirurgia de prótese total do joelho convencional e a robótica é que a robótica permite maior precisão técnica, um detalhado planejamento pré-operatório, uma menor agressão cirúrgica e uma proteção maior dos tecidos de partes moles do joelho. “Com o sistema robótico, há uma interação em tempo real entre cirurgião e o robô, proporcionando maior flexibilização na hora de executar a cirurgia e adaptando a técnica cirúrgica para a anatomia e a biomecânica do próprio paciente. Com essa nova ferramenta tecnológica, podemos acelerar a recuperação pós-operatória do paciente”, complementa o Dr. Fabiano Kupczik.

Desenvolvido pela multinacional americana líder global em saúde musculoesquelética Zimmer Biomet, o ROSA® Knee está presente em 13 hospitais de sete estados brasileiros e já são mais de de 500 cirurgias realizadas com a tecnologia no país.  Em Curitiba, são duas unidades em operação - uma no Hospital Marcelino Champagnat e outra no Hospital Pilar.

Confira alguns mitos e verdades sobre o tema:

1 – Quem opera é um robô?
 
Essa dúvida sempre aparece, afinal os filmes sempre apostam na tecnologia artificial, mas a realidade é outra. Esses sistemas robóticos como o ROSA® são centrados e comandados por um cirurgião devidamente habilitado para este procedimento. Quem está à frente é sempre o cirurgião e sua equipe, que comandam de forma interativa a máquina. A diferença da cirurgia robótica para os métodos convencionais é a precisão submilimétrica oferecida pela tecnologia, o que garante um resultado melhor, com um alinhamento exato e uma recuperação mais rápida do paciente, com menos dores.
 
2 – Qual a importância de um cirurgião devidamente capacitado para comandar uma cirurgia robótica ou a cirurgia é feita por inteligência artificial?
 
O cirurgião precisa ter todo o conhecimento na anatomia, conhecer o paciente, saber todos os princípios técnicos da colocação da prótese e dos nuances da cirurgia de artroplastia total do joelho. É ele quem deve saber e conhecer os os diferentes tipos de procedimentos, e o cirurgião e equipe têm a consciência de que o robô não faz tudo sozinho. É o cirurgião quem realiza o balanço ligamentar individualizado para cada caso e para cada joelho, então, o robô funciona como um “auxiliar” no centro cirúrgico. Robôs como o ROSA® foram desenvolvidos para ajudar o trabalho dos cirurgiões, e não são autônomos, nem operam por inteligência artificial. O sistema fornece uma análise contínua dos dados para auxiliar na tomada de decisões complexas e permite que os cirurgiões usem a tecnologia para posicionar instrumentos cirúrgicos, permitindo grande precisão durante os procedimentos. O ROSA® Knee fornece imagens pré-operatórias baseadas em raios-X para criar um modelo 3D e plano da anatomia óssea de um paciente, além do mapeamento intra-operatório em tempo real da anatomia, do movimento e da tensão dos ligamentos do joelho, ajudando os especialistas a personalizarem o procedimento e a otimizarem a colocação dos implantes da prótese.
 
3 – Essa cirurgia é mais comum em pessoas idosas?
 
Sim, mas a cirurgia robótica não tem uma limitação de idade! A prótese total do joelho geralmente é mais indicada em pessoas acima dos sessenta anos, mas a idade não é mais um fator determinante. Atualmente, vemos muitos pacientes jovens com artrose na qual nenhum outro tipo de tratamento pode ser realizado. Assim, estes pacientes também podem fazer a cirurgia de prótese com auxílio da robótica. Da mesma maneira, pessoas ainda mais idosas podem ter benefícios com o auxílio da robótica, afinal, trata-se de um procedimento menos invasivo que torna mais rápida a recuperação do paciente. 
 
4 – Como é a cirurgia?
 
Existe um planejamento pré-operatório, no qual o paciente faz radiografias ou outros exames de imagem para uma análise minuciosa antes da cirurgia. As imagens destes exames são digitalizadas para um maior detalhamento da anatomia e do planejamento dos cortes ósseos, do posicionamento e do tamanho da prótese, do alinhamento que o paciente tem e do alinhamento que o cirurgião deixará. Assim, conseguimos planejar a cirurgia com antecedência e em detalhes. 
 
A cirurgia é realizada sob anestesia e o cirurgião faz o acesso cirúrgico na frente do joelho e retira todos os osteófitos ou saliências ósseas causadas pela artrose. Dentro do joelho, os resquícios de meniscos e ligamentos cruzados também são retirados, deixando a articulação  preparada para a confecção dos cortes ósseos guiados pelo robô. Então, são instalados sensores do robô em pequenas antenas nos ossos do fêmur e da tíbia. Essas antenas são retiradas ao final da cirurgia, mas elas servem para que o robô reconheça a articulação do joelho e todo o membro inferior do paciente. Depois disto, são feitas todas as captações e as marcações de pontos anatômicos do joelho e a avaliação do eixo mecânico de todo o membro inferior. Assim, o cirurgião alia os dados do planejamento pré-operatório com as informações intra-operatórias, e identifica a tensão de ligamentos colaterais que serão preservados na cirurgia.
 
Definindo o planejamento, são realizados os os cortes ósseos com o auxílio do robô, sendo que estes cortes tem precisão submilimétrica e com variações de apenas meio grau. Ou seja, tanta precisão é algo que o olho humano não tem capacidade de identificar, sendo este é um grande diferencial para a cirurgia convencional. Os implantes metálicos da prótese são então colocados e fixados com o auxílio de um cimento ósseo específico e, ao final, coloca-se um polietileno que é o componente plástico que fica entre os componentes metálicos femoral e tibial.
 
5 – Quem passa por uma cirurgia de prótese do joelho demora meses para voltar a andar?
 
Sobre o pós-operatório, temos observado que os pacientes submetidos à cirurgia robótica têm uma recuperação mais rápida com a vantagem de ser uma cirurgia menos agressiva e com maior precisão técnica no equilíbrio dos ligamentos do joelho, e tudo isso acelera a reabilitação. Assim, o paciente acaba tendo menos dores e fica apenas um dia no hospital. No dia seguinte da cirurgia, o paciente já inicia o processo de reabilitação e fisioterapia. Então, ainda há uma discussão no meio ortopédico sobre o tempo final da recuperação após a cirurgia robótica, mas o que vemos na prática é a grande satisfação dos pacientes em relação à recuperação mais precoce.