Com caso prestes a completar 10 anos, MP pede que pena de Carli Filho seja aumentada

Felipe Harmata - BandNews FM Curitiba e Alexandra Fernandes


Com o caso Carli Filho prestes a completar dez anos, o Ministério Público do Paraná entra com recurso para que a pena do ex-deputado seja aumentada. O MP entende que a pena imposta ficou abaixo do que deveria. O Ministério Público também considera que o regime inicial de cumprimento da pena de Luis Fernando Ribas Carli Filho deveria ser o regime fechado.  O recurso vai para o Superior Tribunal de Justiça. Caso seja negado, ele ainda pode chegar ao Supremo Tribunal Federal.

Para o MP o crime teve circunstâncias que teriam gravidade maior do que outros crimes e que o fato do ex-deputado ter um histórico de multas e crimes contra o trânsito deveriam agravar a situação dele. Para o promotor Rodrigo Leite Ferreira Cabral, a própria confissão de Carli Filho é questionada.

“O tribunal entendeu que houve uma confissão espontânea do acusado, e isto de acordo com a lei traz uma diminuição da pena. Mas para o Ministério Público não há essa confissão. Ele não reconheceu que praticou o crime como está proposto na denúncia, tanto que tentou imputar o fato das vítimas terem cruzado a via.”

Carli Filho foi condenado, no ano passado, inicialmente a nove anos e quatro meses de prisão, por duplo homicídio, com dolo eventual. Ele deveria começar a cumprir a pena em regime fechado. Mas a defesa do deputado recorreu e conseguiu reduzir a pena para sete anos e com a tendência para que ele começasse a cumprir a pena em regime semiaberto. O recurso de agora, do Ministério Público, pedindo para aumentar a pena é feito perto de o caso completar dez anos. O acidente aconteceu no dia 7 de maio de 2009. O recurso não tem prazo para ser julgado e segundo o MP o pedido não tem relação com o aniversário do caso.

Mesmo com o recurso, a mãe de uma das vítimas do acidente, Christiane Yared, não acredita que a pena de Carli Filho vai ser aumentada.  Para ela o MP entrou com pedido mais por uma questão de resposta a sociedade. “Me falaram que o júri popular era soberano, mas não é. Tanto que há um recurso para desembargadores definam a situação.” diz Cristiane. Ela ainda avalia que o caso deixa a sensação de impunidade, o que segunda ela, incentiva que novos crimes de trânsito aconteçam.

A defesa de Carli Filho foi procurada pela reportagem e não retornou aos pedidos de entrevista. Em dezembro, quando a pena de Carli Filho foi reduzida, a defesa de Carli alegou que o tempo de processo foi doloroso para todos os envolvidos no caso e que a redução da pena para sete anos foi justa.

Morreram no acidente os jovens Gilmar Rafael Yared, de 26 anos, mesma idade que Carli Filho tinha na época, e Carlos Murilo de Almeida, de 20 anos. Uma perícia mostrou que Carli Filho dirigia a 167 km/h no momento da colisão.

Previous ArticleNext Article