Com PF fechada para filmagens, imigrantes permanecem em presídio

Os dois imigrantes de Guiné-Conacri que desembarcaram no Porto de Paranaguá, litoral do Paraná, depois de uma jornada de..

Narley Resende - 19 de novembro de 2016, 10:44

Os dois imigrantes de Guiné-Conacri que desembarcaram no Porto de Paranaguá, litoral do Paraná, depois de uma jornada de 11 dias no leme de um navio vão continuar presos pelo menos até a próxima segunda-feira (21).

Representantes da Casa Latino Americana (Casla), entidade sem fins lucrativos que presta assistência a imigrantes em Curitiba, enviaram uma petição nessa sexta-feira (19), ao juiz federal Alexandre Moreira Gauté, da 1ª Vara Federal de Paranaguá, com pedido de asilo aos imigrantes clandestinos, considerados refugiados políticos.

Eles estão presos na Penitenciária Estadual de Piraquara 2 (PEP II), na região metropolitana de Curitiba, desde o dia 11 de novembro.

Junto com um adolescente de 17 anos, encaminhado ao Conselho Tutelar de Paranaguá, os dois foram detidos pela Polícia Federal no dia 7 de novembro.

A vice-presidente da Casla, a advogada Ivete Caribé da Rocha, foi à Polícia Federal (PF) em Curitiba para informar a intenção dos clandestinos em pedir refúgio no Brasil. A Superintendência da PF, porém, está fechada, com serviços suspensos até segunda-feira para a gravação do filme "Polícia Federal: a Lei é para Todos", inspirado na Operação Lava Jato.

"A Polícia Federal está fechada por causa da filmagem, não é aquela situação que eles estão dizendo que seria para alguma coisa interna, não. É a filmagem, a gente até fotografou lá", conta.

A advogada voltou à penitenciária para acompanhar a situação dos imigrantes. "Falei com o diretor da PEP 2, que me forneceu todos os dados (já que a PF estava fechada), e então peticionei o juiz e já entrei em contato pedindo em caráter de urgência que seja analisado até no máximo segunda-feira (21)", relata.

"Realmente eles querem refúgio. Conversei novamente com eles. Não sei se eles serão levados à Polícia Federal de Paranaguá ou à Polícia Federal de Curitiba, que espero que na segunda-feira (19) estejam atendendo para que a gente possa terminar esse procedimento e eles passarem a ter uma vida normal aqui", confia.

A prisão cautelar dos imigrantes tem prazo máximo de 60 dias. A Casla tenta a liberdade dos dois e pediu auxílio da Secretaria Municipal de Direitos Humanos de Curitiba.

Jornada

O grupo de quatro guineanos entrou clandestinamente em um navio no porto de Conacri, capital República da Guiné. Eles atravessaram o Oceano Atlântico escondidos no leme do navio.

No quinto dia de viagem, um dos integrantes, identificado como Renê, caiu no mar e morreu. Por falta de comunicação, os sobreviventes não pediram asilo e foram encaminhados à Penitenciária.

Depois de reportagens do Paraná Portal e BandNews FM, entidades de proteção a Direitos Humanos souberam do caso e assumiram a defesa dos imigrantes. Eles assinaram uma procuração à Casla.

Até então, os clandestinos eram representados por advogado designado pelo juiz de Paranaguá. Por falta de comunicação, não foi pedido asilo e eles acabaram encaminhados à penitenciária.