Crea-PR alerta como evitar danos físicos e materiais causados por raios

Pedro Ribeiro


 

A cada sinal de nuvens carregadas que podem se transformar em tempestades, é bom ficar de sobreaviso, principalmente nesta época do ano, quando a incidência de raios é grande. Na semana passada duas pessoas ficaram feridas e uma morreu após um raio atingir a fiação de uma cervejaria, na Colônia Murici, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, durante uma tempestade. As três vítimas são da mesma família.

O outro episódio foi registrado em Antonina, enquanto uma mulher de 23 anos cozinhava, um raio atingiu a casa e derrubou um galho de árvore, que por sua vez caiu na fiação elétrica da residência. A jovem acabou se assustando com a situação e bateu numa panela de pressão que estava no fogo. Ao cair, a panela soltou a pressão e pegou fogo, fazendo a vítima desmaiar. Ela foi socorrida pelo marido e levada ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu durante a madrugada.

Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde revelam que entre 1996 e 2017 foram registrados 162 óbitos no Paraná relacionados à incidência de raios. A cada 50 mortes por raios no mundo, uma é no Brasil; 20% dos casos fatais ocorrem dentro de casa e 80% deles são evitáveis

Este índice motivou alerta no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR). Embora não haja muitas medidas efetivas contra fenômenos climáticos, 80% dos acidentes com raios são evitáveis. O Engenheiro Eletricista Fernando Felice, conselheiro do Crea-PR, explica como se proteger de raios dentro de casa e evitar prejuízos com os aparelhos elétricos e eletrônicos.

Nas residências, as pessoas devem evitar o uso de eletrodomésticos como chuveiros elétricos e aparelhos fixos de telefonia, e ficar encostadas nas paredes. Além disso, todos os moradores devem saber onde está localizado o disjuntor geral do imóvel, que precisa ser desligado imediatamente em casos de acidente. E, em hipótese alguma, se deve tocar em quem levou o choque para tentar ajudar”, alerta.

O Engenheiro Eletricista também explica que é possível utilizar diversos dispositivos que protegem a rede elétrica e os aparelhos das sobrecargas, como para-raios com aterramento da casa, responsáveis por captar descargas e conduzi-las à terra. “Cabe aos síndicos ou proprietários de imóveis solicitar a instalação e a manutenção periódica desses sistemas. Recomendamos a contratação de um profissional habilitado e devidamente capacitado para realizar o serviço, em posse da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) e registro no Crea-PR”, explica Felice. Ao Conselho, cabe a fiscalização dos projetos e a presença de responsável técnico na obra.

Também existem os DPS (Dispositivos de Proteção contra Surtos elétricos) para proteger equipamentos eletrônicos. Instalados junto ao quadro de distribuição, estes dispositivos atuam rapidamente desviando o caminho da corrente do surto para o sistema de aterramento, evitando que fluam para o interior da residência. “Quando uma descarga queima uma geladeira, por exemplo, o prejuízo é material, mas se uma criança estiver encostada na geladeira, os danos físicos podem ser muito graves e até fatais”, salienta Fernando Felice.

Você sabia?

A cada 50 mortes por raios no mundo, uma é no Brasil, o país campeão mundial em incidência do fenômeno. São 130 mortes e mais de 200 feridos por ano. Os dados são do Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (ELAT/Inpe). Das vítimas fatais, 20% estavam dentro de casa e receberam descargas elétricas por contato com aparelhos ligados na tomada ou enquanto tomavam banho. Os prejuízos causados por danos materiais são da ordem de um bilhão de reais ao ano, no Brasil.

(Informações CREA-PR)

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Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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