Crianças sírias seguram Pokémons para serem salvas

Mariana Ohde


A Guerra Civil na Síria já fez mais de 250 mil vítimas fatais, segundo a ONU, e obrigou milhares de pessoas a deixarem o país. Muitas das vítimas são crianças.

Para chamar a atenção para o problema, um grupo de oposição ao governo da Síria lançou uma campanha inspirada no jogo Pokémon Go, que recentemente se tornou uma febre mundial. No aplicativo para smartphone, o objetivo dos jogadores é capturar os Pokémons que aparecem, em realidade aumentada, em locais próximos, mostrados em um mapa.

Usando a lógica do jogo, o Exército Livre da Síria divulgou imagens de crianças sírias segurando cartazes com fotos de Pokémons para que elas, também, sejam “resgatadas”.

Nos cartazes estão também frases em árabe e inglês, como “Estou na Síria, venha me salvar”.

Guerra

A campanha teve início na mesma semana em que um ataque aéreo matou mais de vinte crianças em Manbij e um vídeo do assassinato de um menino de apenas 12 anos, em Alepo, ganhou repercussão. Diante dos acontecimentos, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) pediu o fim imediato de todas as formas de violência contra crianças na Síria, e chamou as partes no conflito a evitar a morte de civis.

A agência estimou que, entre as cerca de 150 mil pessoas que estão abrigadas na cidade de Manbij e nos arredores, há 35 mil crianças sem um local seguro para se proteger. Manbij é considerada crucial na guerra contra o EI porque fica a cerca de 130 quilômetros de Raqqa, tida como a capital do grupo na Síria. Além disso, desde a intensificação dos confrontos nas últimas seis semanas, cerca de 2,3 mil pessoas, incluindo dezenas de crianças, foram mortas.

“Absolutamente nada justifica os ataques contra crianças”, disse Hanna Singer, representante do UNICEF na Síria, em comunicado publicado na quarta-feira (20). “Não importa onde elas estejam e sob controle de quem vivem”, enfatizou.

Em comunicado, representante do UNICEF também informou que tais incidentes são um lembrete de que é responsabilidade das partes no conflito respeitar as leis humanitárias internacionais que protegem crianças nas guerras. “Deploramos todas as formas de violência e pedimos que todas as partes no conflito se esforcem para evitar a perda de vidas civis”, disse Singer. “Todas as formas de violência contra crianças precisam acabar imediatamente”, disse.

Milhares de civis estão isolados em Alepo, Manbij e outras cidades sírias enquanto o conflito entre governo e forças de oposição continuam nos arredores. Na semana passada, o alto comissário da ONU para direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, expressou sérias preocupações sobre a segurança e a necessidade das partes no conflito de garantir que nenhum mal ocorrerá a essas pessoas.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal