Curitibano cria legado para filha, vítima de sepse com apenas 18 dias de vida

O curitibano Jacsson Fressato perdeu sua filha Laura em 2010. Ela nasceu prematura no dia 10 de maio e acabou falecendo ..

Vinicius Cordeiro - 28 de maio de 2019, 18:38

Foto: Divulgação Neoconsig
Foto: Divulgação Neoconsig

O curitibano Jacsson Fressato perdeu sua filha Laura em 2010. Ela nasceu prematura no dia 10 de maio e acabou falecendo com apenas 18 dias por sepse, também conhecida por infecção hospitalar ou infecção generalizada.

A partir da perda de Laura, Fressato se dedicou exclusivamente para salvar outras milhares de vidas e criou uma meta de impactar um bilhão de pessoas com tecnologia. Ele se apresenta como um construtor de tecnologia, mas, na verdade, construiu um legado para sua filha.

"Quero impactar as pessoas com tudo que eu fizer em relação à tecnologia. Faz parte da minha personalidade. Sou um construtor, todas elas têm algum tipo de significado, todas elas impactam de alguma forma", afirma ele.

Hoje, o robô Laura salva 10 vidas por dia e tem meta de estar em 100 hospitais até o final de 2019. Presente em seis hospitais (três no Paraná), o primeiro robô cognitivo que faz gerenciamento de riscos no mundo já salvou mais de nove mil vidas há dois anos e meio desde a ativação da Laura.

"Eu não fico triste por ter sido pai dela. Fico feliz de ver que ninguém vai esquecer ela", completa.

TURBILHÃO DE SENTIMENTOS

Desde sua perda, o mês de maio é um desafio anual de Jac, como é conhecido. Ele tenta se isolar ao máximo nos dias do nascimento e morte de Laura. Segundo ele, é um peso muito grande ver que é mais um aniversário sem comemoração.

"Maio junta alegria ao turbilhão de tristeza que se dá pela impotência de não ter conseguido fazer nada. O dia 28 é o dia que eu acumulo o maior nível de raiva que eu posso ter como ser humano. Por vários fatores. É um dia malvado", conta.

Na visão dele, um pai não pode ser impotente com relação ao seu filho. Por isso, Jac vive com uma angústia, de não ter tido a chance de ter ajudado a Laura.

"É minha maneira de pensar e podem ter pessoas que não concordam com isso. Ela não conseguiu contar comigo. Essa é minha maior frustração em todo esse contexto".

TRÊS HORAS

A equipe médica levou quase três horas e meia para identificar que Laura estava sofrendo de sepse. Com o robô Laura, os profissionais da saúde do hospital Nossa Senhora das Graças precisam de 42 minutos. Tudo porque o robô, que conta com 263 motores em tempo real, é capaz de ler as informações dos pacientes em um intervalo de 3,8 segundos para identificar estão com circunstâncias de sepse.

Confira a apresentação de Jac no TED.

https://www.youtube.com/watch?v=HW_MyKPSGgU