Dados do Imposto de Renda vão ajudar a mapear a desigualdade

Mariana Ohde


O Ministério da Fazenda vai passar a divulgar, com base nos dados do Imposto de Renda (IR), um relatório anual sobre a distribuição de renda e riqueza entre a população brasileira. Conforme explicou o secretário de Política Econômica da pasta, Manoel Pires, as informações ajudarão a subsidiar discussões a respeito de temas como a progressividade do IR e a criação de uma faixa específica para a parcela mais rica da população. “Essa é uma discussão que sempre existiu. A gente pode iluminar melhor essa questão de que faixa, que alíquota seria essa [destinada aos mais ricos]. [A discussão] aconteceu em todos os países em que esse tipo de informação foi divulgada”, disse o secretário.

O Ministério da Fazenda vai publicar uma portaria com a previsão de divulgação do relatório, tarefa que ficará sob a responsabilidade da Secretaria de Política Econômica. Os dados serão obtidos após o processamento das declarações de ajuste do IR pela Receita Federal. Segundo Manoel Pires, levantamentos domiciliares, como a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), não conseguem captar dados dos estratos mais elevados da renda, lacuna que será suprida por esse novo relatório.

“[As pesquisas] representam bem a média da população, mas têm dificuldade em identificar os extremos da distribuição [de renda]”, apontou.

Informações formatadas com a nova metodologia mostram, por exemplo, que, segundo a declaração de renda de 2015 com dados de 2014, 0,1% da parcela mais rica da população, equivalente a 27 mil pessoas, declarou 3.101% a mais do que o rendimento médio da economia. Elas também possuem 6.448% mais que o estoque de riqueza médio.

Ainda de acordo com as informações divulgadas pela Fazenda, apenas 8,4% dos declarantes do Imposto de Renda em 2015 possuem 30,4% da renda tributável e 59,4% do estoque de riqueza. Os dados mostram também que 1% das pessoas concentram 48,5% da renda no grupo dos 5% mais ricos do Brasil. Essa proporção só é inferior à observada nos Estados Unidos, onde é de 51,5%; e na Alemanha, de 49,4%. Logo atrás do Brasil vem o Reino Unido, com 46,2% de concentração de renda no grupo dos 5% mais ricos.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal