Duas doses da vacina da AstraZeneca têm proteção de 93,6% contra mortes por Covid-19

Patrícia Pasquini - Folhapress

Vacina de Oxford AstraZeneca Covishield: IFA Fiocruz

Um estudo recente feito com dados de 61.164 moradores do estado de São Paulo com idades entre 60 e 79 anos e que receberam o imunizante AstraZeneca mostra que a vacina oferece alta proteção contra casos sintomáticos, hospitalizações e mortes de Covid-19.

A análise foi feita entre os dias 17 de janeiro e 2 de julho, época de alta circulação da variante gama (P.1).

O estudo usou informações de indivíduos com doença respiratória aguda e submetidos ao teste RT-PCR identificados nos bancos de dados de vigilância (e-SUS e Sivep-Gripe). A estimativa da efetividade da AstraZeneca foi feita comparando os grupos vacinados e não vacinados com resultado positivo para Covid-19 versus os vacinados e não vacinados que tinham testes negativos.

“A principal mensagem desses resultados é o incremento que temos com o esquema vacinal completo. É muito importante porque sai de cerca de 62% para prevenção de óbito e vai para 94%. Reforça a ideia que é necessário o esquema vacinal completo para uma excelente proteção”, afirma o infectologista da Fiocruz, Julio Croda, que também é professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e membro do Centro de Contingência do Coronavírus do estado de São Paulo. De acordo com a pesquisa, a eficácia da vacina da AstraZeneca

28 dias após a primeira dose é de 33,4% contra casos sintomáticos, 55,1%, hospitalizações e 61,8%, mortes.

Os percentuais tornam-se bem mais robustos 14 dias após a segunda dose: 77,9% contra casos sintomáticos, 87,6%, internações e 93,6%, mortes.

Croda lembra, porém, que todas as vacinas aprovadas são boas. “Todas protegem contra casos graves, hospitalizações e óbitos e qualquer variante, mas não existia esse dado para a gama. É o primeiro estudo de efetividade no Brasil para essa variante.”

Coronavac Os pesquisadores também apresentaram novos dados de um estudo que avaliou a eficácia da Coronavac, produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, diante da alta circulação da variante gama.

O estudo foi feito de 17 de janeiro a 29 de abril com 43.774 moradores no estado de São Paulo acima de 70 anos e que receberam a Coronavac.

De acordo com os resultados, 14 dias após a aplicação de duas doses a efetividade da vacina foi de 41,6% contra casos sintomáticos, de 59% contra hospitalizações e 71,4% contra mortes.

Na faixa etária entre 70 a 74 anos, a eficácia da Coronavac contra casos sintomáticos é de 61,8%, de 80,1% contra hospitalizações e de 86% contra mortes.

No entanto, a proteção da Coronavac cai na população com 80 anos ou mais – 28% contra casos assintomáticos, 43,4% contra hospitalizações e 49,9% contra mortes.

“Os dados são melhores que os da vacina da gripe, que previne 40% de mortes para acima de 80 anos”, ressalta Croda.
Croda ressalta que não se pode comparar a AstraZeneca com a Coronavac. “Apesar da diferença nas estimativas, não há diferença entre as vacinas”, afirma.

Para o pesquisador ainda não há dados suficientes que apontem para a necessidade da revacinação. “Teremos que ficar de olho em duas populações: idosos e imunossuprimidos. E talvez profissionais de saúde. Pode ser que no idoso seja necessário [fazer a revacinação] porque ele responde menos ao longo do tempo. Os dados que temos até o momento apontam oito meses [de proteção] para a população em geral.

Em um ano será que ela se manterá? Não temos como afirmar agora.”

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