“É preciso mudar a cultura”, diz Mujica em Curitiba

Roger Pereira


“Não faço apologia à pobreza, apenas não sou essa máquina de consumo que tentam nos transformar”. Falando para 3,5 mil pessoas na manhã desta quarta-feira (27), em Curitiba, o ex-presidente uruguaio José Mujica disse que os objetivos de uma democracia precisam ir muito além de gerar empregos, crescimento econômico e competitividade. “O que temos que lutar é por uma sociedade diferente, por transformar a civilização, em que a prioridade seja viver e não trabalhar”, afirmou.

Mujica foi o convidado do seminário Democracia na América Latina, promovido pelo Laboratório de Cultura Digital da Universidade Federal do Paraná. Em uma palestra de cerca de 40 minutos, ele disse que os grandes problemas da humanidade são consequências das prioridades políticas, focadas na cultura do consumo. “O homem tem os recursos para varrer a miséria de todo o mundo. Basta que esta seja a prioridade. Já tem os recursos. Não há problema ecológico, há problema político”, afirmou.

Para o senador uruguaio, a “democracia do consumo” faz existir uma sociedade que vive para o trabalho. “As pessoas dedicam toda a sua vida ao trabalho, a produzir riqueza, para poder consumir, para gerar esse crescimento econômico. Mas a vida não é só trabalho. É preciso viver, é preciso amar, é preciso ser feliz, precisa-se de tempo para viver amar e ser feliz. Ninguém compra cinco anos de vida no supermercado”. Para ele, “ou você luta para mudar a sociedade, construir uma civilização para a felicidade e que se tornem o motor principal e não o mercado, ou será cooptado por uma multinacional”.

“Fomos transformados em uma máquina de consumismo. A acumulação capitalista necessita que compremos, compremos e gastemos e gastemos. Vendem mentiras até que te tiram o último dinheiro. Essa é a nossa cultura e a única saída é a contracultura”, concluiu.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal