É proibido abater jumentos brasileiros e vender para a China, decide Justiça

A partir de 2016, o  Brasil passou a exportar a couro do animal para a produção de um remédio conhecido como ejiao, bastante popular na China.

Redação - 05 de fevereiro de 2022, 12:41

Foto: Pixabay
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A informação pode até ter passado desapercebida, mas é importante relatar que a Justiça Federal brasileira decidiu suspender o abate de jumentos no país para exportação à China. Este mercado, lucrativo, gerava bilhões de dólares e um couro do animal chega a custar, naquele país, perto de US$ 4 mil ( R$ 24 mil). As informações são da BBC Brasil.

A partir de 2016, o  Brasil passou a exportar a couro do animal para a produção de um remédio conhecido como ejiao, bastante popular na China. Não há comprovação científica de que ele funcione, mas, no país asiático, o ejiao é utilizado com a promessa de tratar diversos problemas de saúde, como menstruação irregular, anemia, insônia e até impotência sexual. 

Segundo apurou a BBC Brasil, o medicamento é consumido de várias maneiras, como em chás e bolos. 

Para fabricar o produto, os animais são recolhidos da caatinga e de zonas rurais do Nordeste em grande volume, sem que exista uma cadeia de produção que renove o rebanho, como ocorre com o gado. Ou seja, eles são abatidos em uma velocidade maior do que a capacidade de reprodução, o que acendeu um alerta de que a população de jegues pode ser eliminada nos próximos anos no Nordeste.

No final de dezembro, uma reportagem da BBC News Brasil mostrou que cidades do centro-sul da Bahia se tornaram dependentes economicamente do abate de jumentos.  No entanto, o setor cresceu em consonância com o aumento da fome e da pobreza em uma região historicamente já castigada por esses problemas, além de denúncias de maus-tratos, contaminação de animais por mormo (uma doença mortal), trabalho análogo à escravidão e abandono de jegues à morte por inanição.