Educação física é a segunda licenciatura com mais alunos no país

Com Agência BrasilA licenciatura em educação física é a segunda com mais alunos no país, segundo dados do Censo da Educa..

Mariana Ohde - 06 de outubro de 2016, 11:59

Com Agência Brasil

A licenciatura em educação física é a segunda com mais alunos no país, segundo dados do Censo da Educação Superior 2015, divulgados nesta quinta-feira (6) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep).

A área concentra 10,2% das matrículas na graduação em licenciaturas, perdendo apenas para as matrículas em pedagogia, que correspondem a 44,3% do total de matrículas em licenciaturas.

Em números absolutos, são 149.011 matrículas na licenciatura em educação física e 648.998 em pedagogia.

Reforma do ensino médio

A oferta de educação física nas escolas de educação básica entrou no debate nacional após a retirada da obrigatoriedade da disciplina no ensino médio pela Medida Provisória do Novo Ensino Médio. Antes da MP, a disciplina era obrigatória, por lei.

Agora, com o novo texto, no ensino médio, dependerá da aprovação da obrigatoriedade na Base Nacional Comum Curricular, atualmente em discussão. Segue obrigatória no ensino fundamental.

As licenciaturas em filosofia, sociologia e artes, cuja obrigatoriedade no ensino médio também dependerá da definição da Base, estão entre as 20 com mais matrículas no Brasil. Aparecem respectivamente em 12º, 14º e 18º lugares.

Química e física

As licenciaturas em química e física também estão entre as 20 mais procuradas. A primeira ocupa a 10ª posição e a segunda, a 11ª. Mantêm as matrículas. No total, são 35.892 matrículas em química em todo o país, o que corresponde a 2,5% do total das matrículas em licenciaturas e 25.102, em física, o equivalente a 1,7. Ambos os números de matrículas se mantêm constantes em relação a 2014.

As disciplinas estão entre os maiores déficits da educação básica, principalmente no ensino médio, segundo auditoria especial do Tribunal de Contas da União (TCU), divulgada em 2014.

A situação é crítica também quando se tem professores lecionando as disciplinas. Segundo o Ministério da Educação, do total de 27.886 professores que lecionam física, 19.161 não tem licenciatura na disciplina, o que equivale a 68,7% do total. A formação de novos professores não acompanha a demanda, de 1,8 mil por ano. Seriam necessários, então, 11 anos para que todos os professores de física tivessem a formação adequada. Em química, 46,3% não têm a formação adequada.

Sobram vagas no ensino superior público e privado

O Censo da Educação Superior também mostrou que há dificuldades em preencher todas as vagas ofertadas.

Das novas vagas e vagas remanescentes oferecidas nas redes pública e privada em 2015, 5,6 milhões ficaram ociosas.

Em 2015, foram oferecidas mais de 8,5 milhões de vagas em cursos de graduação, sendo 72% vagas novas e 27,7%, vagas remanescentes. Das 6.142.149 novas vagas oferecidas em 2015, 42,1% foram preenchidas, enquanto apenas 13,5% das 2.362.789 vagas remanescentes foram ocupadas no mesmo período.

Isso significa que 3.556.304 das novas vagas e 2.043.812 das remanescentes não foram ocupadas, de acordo com os dados do Censo. Mesmo na rede federal, que teve maior índice de ocupação - mais de 90% das novas vagas e 27,4% das remanescentes - sobraram 116.692 vagas.

O maior índice de vagas não preenchidas está no ensino privado. Das novas vagas, 37,8% foram preenchidas e 12,8 das remanescentes, o que totaliza 5.377.580 vagas não preenchidas.

Plano Nacional de Educação

Por lei, pelo Plano Nacional de Educação (PNE) o país terá que elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para 50% e a taxa líquida, ou seja, da população de 18 a 24 anos, para 33%. Deve assegurar a qualidade da oferta e expansão e ter pelo menos 40% das novas matrículas no segmento público. Até 2014, a taxa bruta era 34,2% e a líquida, 17,7%.