Em depoimento, Malafaia diz que recebeu R$ 100 mil por oração

O pastor Silas Malafaia, da igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, prestou depoimento nesta sexta-feira (16) na Po..

Mariana Ohde - 17 de dezembro de 2016, 08:05

O pastor Silas Malafaia, da igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, prestou depoimento nesta sexta-feira (16) na Polícia Federal (PF), em São Paulo.

Malafaia foi levado coercitivamente para depor, durante a Operação Timóteo, deflagrada pela PF, que investiga irregularidades em cobranças de royalties da exploração mineral.

O pastor parou para falar com jornalistas ao chegar e ao sair da Superintendência da PF.

Ao deixar a superintendência, ele disse ter esclarecido ao delegado da Polícia Federal que não praticou irregularidades. O pastor confirmou que recebeu um cheque no valor de R$ 100 mil em sua conta pessoal, mas informou que esse cheque foi recebido por meio de uma oferta pessoal por ter orado para um empresário e que, só agora, soube que o doador está envolvido em irregularidades e é investigado na operação.

Malafaia disse que conheceu o empresário por meio de seu amigo e também pastor Michael Abud.

“Foi tudo esclarecido. O delegado, muito competente, perguntou tudo o que tinha direito. Eu respondi tudo”, disse Malafaia.

“Sou suspeito de usar contas da minha instituição? Lembrei-me de ter recebido a visita de um amigo meu, de 20 anos, que levou um membro dele e vocês falarem: 'olha, pastor, encerraram e não tem nada contra o senhor'? Eu vivo de conceito da opinião pública. Vivo disso. Recebo ofertas de milhares e centenas de milhares das pessoas. E quem é que vai recuperar isso? Quem é que vai recuperar o dano que está me causando, e quem vai recuperar a minha honra?”

Indagado por jornalistas se não seria, então, o caso de devolver o dinheiro, de fonte ilegal, que foi depositado em sua conta, Malafaia respondeu: “Se, de fato, é um dinheiro ilícito, é claro que eu devolveria. Não preciso de roubo”. No entanto, ele acrescentou que não teria como devolver um dinheiro, fruto de doação, se ele não sabe a origem do dinheiro.

“Vou devolver o que, se recebi uma oferta? Ninguém devolve oferta. Você recebe as ofertas e não sabe quem é o cara que dá. Se a Justiça mandar eu devolver um valor, eu vou devolver.”

Exaltado, o pastor reclamou de ter sido conduzido coercitivamente para depor hoje. “Aonde vai o Estado Democrático de Direito? Nem na ditadura fizeram isso contra um cidadão. Estou indignado, sou um cidadão. Quer dizer que jogam o nome da pessoa na lama?”, questionou.