Estudantes protestam contra afastamento de professores na PUC

Narley Resende


Cerca de cem alunos da Pontifícia Universidade Católica do Paraná protestaram ontem (16) antes do início das aulas nas dependências da instituição. Eles se revoltaram por causa do afastamento de nove professores.

Os docentes, que fazem parte da direção do Sinpes, o Sindicato dos Professores do Ensino Superior de Curitiba e Região, estão proibidos de entrar em sala de aula e de orientar os projetos dos alunos por tempo indeterminado. E denunciam que isso é uma represália aos questionamentos da entidade sobre demissões e redução de carga horária dentro da universidade.

O professor de Direito e vice-presidente do Sinpes, Waldyr Perrini, é uma das pessoas impedidas de trabalhar. Ele conta que, desde o fim de 2015, a PUC vem tomando atitudes contrárias aos acordos trabalhistas e que foi isso que motivou o sindicato a intervir.

Os questionamentos foram publicados em 9 de abril no Didata, que é um jornal do Sinpes. Depois disso, a PUC teria acionado judicialmente o sindicato para saber a autoria dos textos e os nomes das fontes ouvidas.

Ao responderem que a responsável pelas reportagens é a jornalista que assina o informativo, identificada no expediente, a universidade afastou os docentes, que integram o Conselho Administrativo da entidade.

O Sinpes diz que não vai relevar os nomes dos entrevistados por causa da previsão constitucional do direito de fonte. Em nota, PUC confirma os afastamentos, mas nega que seja uma forma de represália.

Segundo a instituição, os docentes cometeram ‘atos considerados ofensivos à honra e à boa fama’ e que esse procedimento visa à proteção dos professores, dos alunos e de toda a comunidade universitária durante a apuração dos fatos.

Perrini afirma que a decisão atenta para a liberdade de expressão e de manifestação e que a jornalista responsável buscou respostas às denúncias antes da veiculação. Agora, com o problema instalado, talvez a única saída seja a Justiça.

e8affdc1-5843-4c8a-a4a1-2010291b015cO Sinpes informa ainda que quem mais sofre com o afastamento dos professores são os alunos que perdem tempo de aula e de orientação. Já a universidade esclarece que buscou entendimento sobre as ofensas irrogadas contra ela e contra as demais vítimas dos editoriais, sem sucesso.

Diante da ausência de respostas e da postura do sindicato em imputar toda a responsabilidade pelos conteúdos à jornalista que assina o Didata, a instituição teria afastado os envolvidos na última quinta (11) para apurar internamente os acontecimentos.

Durante o período fora de sala de aula, os docentes – que atuam em diversos cursos – vão continuar recebendo os salários. Já os estudantes não devem ter qualquer prejuízo com a medida, segundo a PUC.

A universidade explica que o problema foi levado ao âmbito judicial pelo possível cometimento de crimes contra a honra, comumente conhecidos como calúnia, injúria e difamação. Indignados com a decisão, os alunos.

(BandNews FM Curitiba)

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