Hospital Evangélico sofre com ‘abandono’ de igrejas

Narley Resende


Thiago Machado, Metro Jornal Curitiba

Uma audiência pública convocada ontem pelo TRT (Tribunal Regional do Trabalho) expôs críticas à intervenção no Hospital Evangélico. Desde dezembro de 2014 o administrador é designado pela Justiça. Alexandre Neubert, representante da Igreja Presbiteriana, entidade que integra a SEB (Sociedade Evangélica Beneficente de Curitiba) , disse ontem que “a intervenção já demonstrou que não é capaz de resolver todo o problema”, e que ela não deve durar tanto tempo.

Neubert destacou ainda que das 13 igrejas da SEB restaram apenas a Presbiteriana e a Luterana.

“Não tivemos nenhuma assembleia (após a intervenção), a não ser uma para perguntar quanto dinheiro as igrejas iam colocar na SEB. Nós respondemos que não somos igreja ricas e não vamos colocar dinheiro para outro administrar. Hoje só tem duas – todas as outras deixaram o barco”.

A procuradora do trabalho, Patrícia Blanc Gaidex, confirmou que recentemente nenhuma das 13 igrejas aportou recursos no hospital. “Embora no estatuto tivesse essa previsão”, disse.

Quanto à intervenção, ela disse que houve “uma evidente melhora” na administração, mas que a situação atual é de ‘apagar incêndio’.

A prioridade é renegociar dívidas bancárias e aumentar as receitas. “As dívidas chegam a R$2,3 milhões ao mês. Isso asfixia o hospital, mas se houver uma redução nelas se chega ao equilíbrio”, ponderou.

O interventor, Carlos Motta, explicou que a sua política é de trabalhar apenas com a receita, sem novos empréstimos. “Iremos aprender a trabalhar com a receita que temos disponível”. Foi por isso que serviços tiveram que ser paralisados, disse.

“Essa crise é fruto de gestão inadequada durante anos, mas também de um subfinanciamento do sistema de saúde”, afirmou.

Sugestões

A audiência pública de ontem teve 49 inscritos, todos envolvidas com o Evangélico. A ideia do MPT foi apresentar sugestões para o futuro do hospital. A instituição está sob comando de interventores por determinação do juiz Eduardo Milléo Baracat, da 9ª Vara do Trabalho de Curitiba.

CRM diz que há excesso de vagas em faculdade de medicina

Convidado para falar na audiência, o conselheiro do CRM (Conselho Regional de Medicina) Maurício Marcondes Ribas se posicionou contra a abertura de vagas em faculdades de medicina.

“Nos preocupa, e por isso temos mantido vários embates com as politicas públicas do governo, tanto do governo passado como do atual. Indiscriminadamente têm feito aberturas de novas escolas médicas sem a menor condição de trabalho, bem como a ampliação dessas vagas. Pior ainda: a importação de profissionais para trabalharem e cuidar da saúde do país”, declarou.

Marcondes disse ainda que, caso o Evangélico feche, não há rede para suprir a demanda que o hospital atende hoje.

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