Ex-advogado de Gleisi alvo da Operação Custo Brasil chega a Curitiba

Narley Resende


O ex-ministro Paulo Bernardo e mais sete presos da Operação Custo Brasil estão soltos para responder à investigação em liberdade. A decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que revogou a prisão de Paulo Bernardo, foi seguida pelo juiz do caso em despacho favorável aos outros investigados.

O advogado Guilherme Gonçalves, estava detido desde domingo, e foi um dos beneficiados pela decisão. Ele chegou a Curitiba nesta quinta-feira (30). Saiu de São Paulo por volta das 10h.

Especialista em direito eleitoral, Gonçalves já prestou serviço para diversos políticos no Paraná. Ele nega qualquer envolvimento no desvio de dinheiro de empréstimos consignados de servidores públicos. Ele é acusado de repassar dinheiro da empresa de informática Consist para Paulo Bernardo.

Em depoimento, o advogado disse que não há provas de que ele tenha servido de intermediário para pagamentos ao ex-ministro. “O doutor Guilherme explicou para o magistrado a origem desse contrato, os trabalhos que ele prestou para a Consist durante cinco anos. O doutor Guilherme nunca foi um servidor ou um laranja – vamos usar esse termo – do ministro Paulo Bernardo”, afirmou o advogado, Rodrigo Rios, que defende Gonçalves.

A defesa de Paulo Bernardo afirmou que o depoimento de Guilherme Gonçalves deixou claro que o ex-ministro não se beneficiou de maneira alguma dos valores que foram recebidos da Consist. E que, com isso, não há razões que justifiquem a prisão preventiva de Paulo Bernardo.

Foram soltos Guilherme Gonçalves, Daisson Portanova, Valter da Silva, Emanuel do Nascimento, Joaquim da Câmara e Washington Viana. Dos dez presos na Operação Custo Brasil,o juiz decidiu manter a prisão de Paulo Adalberto Alves Ferreira e Nelson Luiz Oliveira Freitas, por considerar que eles podem interferir nas investigações.

O ex-ministro Paulo Bernardo está na casa de familiares, informou o advogado de defesa Juliano Bredas.

Prisão

Guilherme Gonçalves estava em Portugal quando teve a prisão decretada pelo juiz Paulo Bueno de Azevedo, da 6ª vara criminal de São Paulo, na quinta-­feira. O advogado foi ouvido na segunda em audiência de custódia. Gonçalves estava na carceragem da PF na Lapa, zona Oeste de São Paulo.

Segundo os investigadores da Operação Custo Brasil, Gonçalves seria elo do ex­-ministro Paulo Bernardo, com o suposto esquema.

O escritório de Gonçalves recebeu R$ 7 milhões entre 2010 e 2015 da empresa Consist, que prestava serviço ao Ministério do Planejamento.

Como o advogado trabalhou em duas campanhas da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), esposa de Bernardo, a polícia e o Ministério Público Federal (MPF) suspeitam que ele tenha recebido o dinheiro por serviços não prestados à empresa.

Em agosto de 2015, quando foi alvo de mandado de busca e apreensão na 18ª fase da Operação Lava Jato, Gonçalves alegou que os recursos recebidos eram referentes a cinco anos de trabalho para a empresa, não tendo nenhuma relação com o Ministério do Planejamento ou com os políticos Paulo Bernardo e Gleisi Hoffmann.

Operação

A Operação Custo Brasil prendeu 10 pessoas preventivamente por suposto envolvimento nos desvios que podem chegar a R$ 100 milhões. O MPF estuda oferecer denúncia contra os investigados por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa até o final do mês de julho.

Carlos Gabas, ex-ministro da Previdência do governo Dilma, também foi alvo com um mandado de condução coercitiva, que é quando a pessoa é obrigado a prestar depoimento na delegacia. Ao expedir o mandado, a Justiça autorizou que ele não fosse levado à PF se fosse ficar em silêncio. Segundo Gabas, foi isso que ocorreu.

Outro mandado de condução coercitiva foi para o jornalista Leonardo Attuch, que administra o blog ‘Brasil 247’. Ele já havia aparecido nas investigação da Lava Jato como suspeito de ter recebido dinheiro por serviços não executados.

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