Empresa vai pagar transporte de paranaense morta pela polícia em Portugal

Mariana Ohde


Com Narley Resende

A empresa onde a brasileira Ivanice Carvalho da Costa trabalhava, no aeroporto de Lisboa, vai pagar o transporte do corpo da paranaense para Amaporã, no Paraná, onde a família mora. Segundo a mãe de Ivanice, Maria Luzia da Costa, os donos da empresa entraram em contato com a tia da vítima, que mora em Portugal, e se ofereceram para pagar o procedimento, já que a família não teria condições de trazer o corpo ao Brasil.

“De manhã, minha irmã ligou e disse para eu não me preocupar que o corpo da minha filha vai vir para o Brasil e que os custos serão pagos pela empresa onde ela trabalhava. Foi um ato de solidariedade. Nós não cobramos isso, até porque não temos o direito. Eles que se ofereceram”, conta.

A família de Ivanice Carvalho da Costa, morta pela polícia portuguesa nesta quarta-feira (15), planejava entrar com um pedido judicial para que o governo português pagasse o traslado do corpo da brasileira. O valor do transporte entre Portugal e Brasil pode custar até R$ 25 mil.

A família agora se prepara para receber o corpo e se despedir. Ainda não há informações sobre quando ela chega ao Brasil e se vai ser possível organizar um velório. “O corpo dela vem para minha casa. Depois, eu já não sei, se é logo, se pode demorar horas, ou não, como vai ser. Eu não sei”, conta a mãe.

Ivanice se mudou para Portugal há 17 anos e trabalhava em uma loja no aeroporto de Lisboa.

Em nota, o Itamaraty diz estar dando suporte à família da vítima. Em função de o caso estar em segredo de Justiça, o consulado não se manifestou sobre o ocorrido.

Assassinato

Ivanice Carvalho da Costa, de 36 anos, natural de Amaporã, morreu após ser baleada no pescoço, pela polícia, em Lisboa. Os policiais confundiram o carro em que a ela estava, um Renault Megane preto, com um Seat Leon preto que havia escapado de uma perseguição policial minutos antes, no bairro de Encarnação, próximo ao local onde a brasileira foi atingida, segundo a imprensa portuguesa.

De acordo com a Polícia de Segurança Pública de Lisboa (PSP), o condutor do carro – um homem que ainda não teve sua identidade confirmada – não obedeceu à ordem de parada e tentou atropelar os policiais. Ainda segundo informações da polícia, o Renault Mégane ficou cravejado por pelo menos 20 balas disparadas por agentes da PSP.

De acordo com a mãe, Ivanice se mudou para Portugal há 17 anos e trabalhava em uma loja no aeroporto. A mãe soube da morte da filha por telefone. “Minha irmã que mora em Lisboa ligou para uma amiga minha porque não teve coragem de me ligar. Minha amiga também não teve coragem de me contar tudo. Então quando liguei para minha irmã perguntei se era grave, onde era o tiro. E ela falou que foi no pescoço. Perguntei se estava muito grave. E ela falou ‘ela não está mais ente nós’”, disse emocionada em entrevista à rádio BandNews FM.

Maria Luzia afirma que soube que o genro dela não parou no bloqueio policial por não ter habilitação para dirigir.

“Ele não foi atingido. Prenderam ele para ouvi-lo, mas depois liberaram. Porque confundiram o carro dele com o de bandidos, diz-se que era parecido.  Que teve um assalto e mandaram ele parar, foi o que eu fiquei sabendo. E como ele não tinha habilitação ele não parou. Aí os policiais atiraram”, conta.

Leia íntegra da nota da polícia portuguesa:

“Nota de Imprensa

A PSP informa que hoje [quarta-feira], pelas 3h05, no Pragal, em Almada, ocorreu um furto por arrombamento, pelo método de explosão, a uma caixa multibanco.

Seguindo o protocolo operacional aplicável a estas situações, foi difundida via rádio, a todo o dispositivo policial da área de Setúbal, Lisboa e regiões adjacentes, a ocorrência do furto e as informações disponíveis sobre a mesma.

Seguidamente, na 2.ª circular, em Lisboa, no sentido Benfica-Sacavém, foi detetada uma viatura suspeita com as características correspondentes à viatura usada no furto. Os suspeitos que se faziam transportar na viatura, ao detetarem a presença policial, encetaram, de imediato, fuga na direção da Rotunda do Relógio, circulando em diversas vias a alta velocidade e em contramão, colocando em perigo todas as pessoas que ali se encontravam.

Já nas imediações do Aeroporto Humberto Delgado, foram efetuados por parte dos suspeitos diversos disparos com arma de fogo contra os agentes da PSP que os perseguiam, ao que estes ripostaram, igualmente recorrendo a arma de fogo.

Pelas 3h35, na zona da Encarnação, foi detetada, por elementos policiais, uma viatura que aparentava corresponder às características da viatura suspeita, cujo condutor desobedeceu à ordem de paragem. Esta viatura, durante a fuga, tentou atropelar os polícias, que tiveram de afastar-se rapidamente para não serem atingidos e, em ato contínuo, os polícias foram obrigados a recorrer a armas de fogo. Mais à frente, a viatura voltou a desobedecer à ordem de paragem por outra equipa de polícias, tendo sido intercetada pouco tempo depois.

Constatou-se, minutos depois, que na viatura seguiam um homem e uma mulher, encontrando-se a mulher ferida por impacto de projétil de arma de fogo.

De imediato a cidadã ferida foi assistida pelos agentes e pelos meios de emergência chamados ao local. Apesar de todos os esforços, a vítima, acabaria por falecer. O homem que conduzia a viatura foi detido por condução sem habilitação legal, por desobediência ao sinal de paragem e por condução perigosa.
A Polícia Judiciária foi, de imediato, chamada ao local.

Foi, entretanto, determinada pela PSP a instauração de um processo de averiguações para esclarecer as circunstâncias do ocorrido.

Foi dado conhecimento da ocorrência à Inspeção Geral da Administração Interna.

A PSP lamenta a morte da cidadã envolvida na ocorrência.

Lisboa, 15 de novembro de 2017″

Previous ArticleNext Article
Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal