Famílias de vítimas do acidente da BR-277 ainda aguardam indenização

Mariana Ohde


Um mês após o acidente que envolveu um caminhão-tanque e doze carros na BR-277, na região de Morretes, as famílias das vítimas ainda lutam para receber a indenização. No dia 3 de julho, o caminhão, carregado com etanol, perdeu o controle, bateu contra outros veículos e explodiu. Seis pessoas morreram e várias ficaram feridas.

De acordo com os familiares das vítimas, a seguradora responsável pelo pagamento das indenizações tem criado empecilhos, como a exigência de documentos que foram perdidos em meio às chamas que destruíram os carros. “Essa questão da documentação que o seguro vai pedindo: algumas coisas não existem, porque queimaram no incêndio. Como, por exemplo, a Carteira de Habilitação, documento do veículo”, conta Bobson Novakoski, irmão de Ana Carolina Novakoski,  uma das vítimas do acidente.

Robson reclama também da demora e dos gastos que vêm se acumulando. “O que mudou foi que perdemos nossa irmã, a Ana Carolina. Criaram-se mais problemas na nossa vida. Além da perda, a questão das despesas que vêm chegando, dívidas, contas. Para fazer esse processo do seguro andar, a gente já teve vários gastos com taxas, impostos, em documentos, em cartórios, e essa despesa está só aumentando”, explica.

Divulgação / PRF Paraná
Divulgação / PRF Paraná

De acordo com ele, as famílias são orientadas a ligar para um telefone 0800 para concluir o processo de indenização. No entanto, o atendente não tem conhecimento do acidente e diz que, sem a cópia dos documentos – que foram perdidos no fogo -, não pode solicitar o pagamento. “Eles falam para a gente: ‘Infelizmente, senhor, esse é o procedimento padrão, nós precisamos desses documentos’. A gente explica de novo. Na terceira vez, você é transferido para outro. É uma burocracia muito grande”, conta.

A Bradesco Seguros, responsável pelo processo de indenização deste caso, ainda não se posicionou sobre o caso.

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Investigações

O acidente está sob investigação da delegacia de Morretes e a conclusão do inquérito deve ser prorrogada por mais um mês. De acordo com o delegado do município, Antônio dos Santos, a prorrogação é necessária porque faltam documentos e também a conclusão do laudo do Instituto de Criminalística para dar andamento ao processo.

O motorista do caminhão, de 43 anos, foi preso e liberado depois de prestar depoimento e pagar fiança. Ele deve responder pelo crime de homicídio doloso, com dolo eventual – quando se assume o risco de matar. Ele declarou à polícia que, antes da colisão, uma luz se acendeu no painel do veículo, indicando um problema de freios. Mesmo assim, ele decidiu seguir viagem.

(Com informações da BandNews Curitiba)

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Repórter no Paraná Portal
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