Farc recrutaram mais de 18 mil crianças, diz tribunal colombiano

Folhapress


Ao menos 18.667 crianças foram forçadas a se juntar a agora desmobilizada guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), tendo sido sujeitas ao longo de duas décadas a abusos e tratamento considerados crimes de guerra, afirmou nesta terça-feira (10) a Jurisdição Especial para a Paz, que julga crimes hediondos no país.

A corte irá investigar o grupo, dissolvido após assinar um acordo de paz em 2016, pelo recrutamento. “Instrumentalizar meninos e meninas no conflito causou dor à sociedade colombiana”, disse o presidente da corte, Eduardo Cifuentes.

Os números foram extraídos por meio da análise de 31 base de dados compiladas por grupos de vítimas e pelo Estado, bem como a partir de testemunhos de 274 pessoas recrutadas à força, explicou Lily Rueda, juíza que lidera o caso na JEP.

Segundo o tribunal, pelo menos 5.691 dos casos correspondem a menores de 14 anos de idade, o que viola as regras do Direito Internacional Humanitário (DIH). “As Farc recrutaram e utilizaram, sistematicamente, para o desenvolvimento do conflito armado, meninos e meninas desta faixa etária, contrariando suas próprias disposições”, afirmou a JEP em comunicado.

A investigação irá ouvir 26 ex-combatentes da guerrilha convocados para prestar depoimento e priorizará os eventos ocorridos de 1996 a 2006, período que responde pela maioria dos casos.

O tribunal irá apurar ainda violências sexuais e baseadas em gênero, sequestros, assassinatos, tortura e tratamento cruel e degradante. Segundo a corte, vários foram submetidos a “abortos forçados” e “junção carnal violenta”.

Os números apresentados pela corte estão bem acima daqueles divulgados anteriormente pelo governo. As estimativas eram de 7.400 menores recrutados entre 1985 e 2020, enquanto 16 mil morreram durante o conflito.

Criada no acordo de paz das Farc com o governo colombiano, a JEP acusou em janeiro oito comandantes do alto escalão da guerrilha pelo sequestro de 21.396 pessoas entre 1990 e 2016. Os ex-guerrilheiros assumiram a culpa e aguardam sentença –quem assume responsabilidade e repara as vítimas recebe a oferta de penas alternativas.

Dezenas de ex-militares também foram acusados pela execução de 6.400 civis pelo Exército e apresentados como vítimas de combate em troca de benefícios, no escândalo conhecido como “falsos positivos”.

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