Fome cai no Brasil em dez anos, aponta relatório da ONU

A fome no Brasil caiu em um intervalo de dez anos. O levantamento O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 20..

Jonas Valente - Repórter da Agência Brasil - 11 de setembro de 2018, 23:22

SÃO PAULO, SP, 29.08.2018: IBGE-CIDADES -  Pedestres caminham na avenida Paulista, em São Paulo (SP). Mais da metade da população brasileira vive em 6% das cidades do país, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira (29). De acordo com o instituto, somente 317 municípios, de um total de 5.568, concentram uma população de 118,9 milhões de pessoas (57%), de um total de 208,5 milhões de habitantes no país. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 29.08.2018: IBGE-CIDADES - Pedestres caminham na avenida Paulista, em São Paulo (SP). Mais da metade da população brasileira vive em 6% das cidades do país, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira (29). De acordo com o instituto, somente 317 municípios, de um total de 5.568, concentram uma população de 118,9 milhões de pessoas (57%), de um total de 208,5 milhões de habitantes no país. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

A fome no Brasil caiu em um intervalo de dez anos. O levantamento O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2018, divulgado nesta terça-feira (11), foi feito por cinco agências das Nações Unidas e mapeou o quadro de segurança alimentar no país e no restante do mundo.

Os autores do estudo compararam o grau de subnutrição (ou fome, no jargão popular) da população em dois momentos: no biênio 2004-2006 e no biênio 2015-2017. No caso do Brasil, o índice caiu de 4,6% para menos de 2,5% no período de análise. Os dados não mostram uma evolução anual.

A pesquisa também trabalhou com outros indicadores, como grau de insegurança alimentar grave e problemas no desenvolvimento em crianças de até cinco anos de idade. Contudo, nesses dois temas o relatório não traz resultados para o Brasil, indicando que não havia dados disponíveis.

O levantamento também avaliou indicadores de obesidade e anemia em mulheres em idade fértil (15-49 anos), porém em outro período de análise – em 2012 e em 2016. Em ambos os quesitos houve aumento nos índices. O percentual de mulheres obesas passou de 19,9% para 22,3%. Já a ocorrência de anemia passou de 25,3% para 27,2%.

Em uma leitura mais ampliada, os dados sobre subnutrição revelam que o índice no Brasil ficou abaixo da média registrada na América Latina (4,9%), no biênio 2015-2017. Outros países tiveram reduções expressivas no período de 2004-2006 a 2015-2017, como o Peru (de 19,8% para 8,8%) e Equador (de 17% para 7,8%). De um modo geral, a fome aumentou no continente impulsionada pelos índices da Venezuela.

Em 2014, o Brasil saiu do mapa da fome, quando o índice de segurança alimentar fica abaixo dos 5%.

MUNDO

O relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo em 2018 apontou também o crescimento da fome em todo o mundo. O número de pessoas nesta condição foi de 804 milhões para 821 milhões entre 2016 e 2017.

Segundo as agência responsáveis pelo estudo, no ritmo atual não será possível erradicar a fome até 2030, um dos objetivos do desenvolvimento sustentável.