França vive em alerta, conta paranaense que sobreviveu a atentados

Mariana Ohde


A Europa tem vivido um clima de medo com uma sequência de atentados terroristas. Nesta quinta-feira (14), um homem jogou um caminhão contra uma multidão que comemorava a Queda da Bastilha na cidade de Nice, matando mais de 80 pessoas. O motorista também disparou contra as pessoas, tendo sido morto pela polícia. Segundo as testemunhas, o caminhão fazia ziguezagues sem parar.

Este é o terceiro atentado de grande repercussão no país.

No dia 7 de janeiro de 2015, os irmãos Said e Chérif Kouachi invadiram a redação do jornal Charlie Hebdo com metralhadoras e assassinaram doze pessoas. Alguns dias mais tarde, Hayat Boumeddiene e Amedy Coulibaly fizeram reféns em um mercado parisiense – ação que acabou com cinco vítimas fatais.

Em novembro, a França voltou a ser alvo de ataques. No dia 13, vários ataques foram registrados em Paris, em locais diferentes, deixando cerca de 130 mortos. Um dos ataques foi registrado nos arredores do Stade de France, que sediava um amistoso entre França e Alemanha. No mesmo dia, a casa de shows Bataclan foi alvo de atiradores. Os atentados foram reivindicados pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

Medo

O ataque desta quinta-feira, na França, é o terceiro sofrido em um ano e meio. Segundo o paranaense Adailton dos Reis, o Silverado, que apresenta rodeios e shows em Paris há 10 anos, os alertas de possíveis ataques terroristas são frequentes. “Esses alertas têm acontecido, praticamente, semanalmente”, conta. Silverado foi um dos sobreviventes dos ataques do dia 13 de novembro.

“Em relação à segurança, é delicado. Eu acho que a polícia está trabalhando muito bem. Controlar Paris e a França inteira é simplesmente impossível. Não vejo controle nacional, é muito difícil”, explica. “Esses acontecimentos, essas tragédias, elas aconteceram, acontecem e vão continuar acontecendo”, lamenta.

“Animal ferido”

O ex-presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo de Portugal José Manuel Anes defendeu nesta sexta-feira um reforço na cooperação internacional, monitoramento e vigilância para prevenir atentados. Em entrevista à Agência Lusa, logo após o atentado de ontem, o especialista disse que deve haver um esforço de cooperação internacional e de vigilância.

“O dia escolhido para o atentado foi estratégico, uma vez que se trata de um dia simbólico para a França. Os terroristas têm uma predileção pela França e já tínhamos visto isso em 2015”, disse ao lembrar os ataques terroristas do ano passado no país.

Na opinião do especialista em segurança e terrorismo, a escolha de Nice como palco de mais um atentado pode ser explicada pela presença de radicais naquela região do país. “É uma questão de oportunidade, mas não podemos esquecer que aquela área tem 6% dos radicais de toda a França e quinhentos e tal indivíduos referenciados como jihadistas potenciais”, lembrou José Manuel Anes.

“A situação está muito perigosa, o Estado Islâmico perdeu 40% do seu território no Iraque e 20% na Síria e, como um animal ferido, torna-se muito perigoso e ataca onde lhe dá jeito e lhe apetece”, disse, recordando atentados recentes em Bangladesh, na Turquia e na Bélgica.

Para José Manuel Anes, o terrorismo é uma ameaça global e, por isso, os países deviam intensificar a cooperação ao nível policial e de monitoramento. “Durante o Campeonato Europeu de Futebol não houve problemas porque havia uma vigilância maior e uma presença policial forte. Após o campeonato, baixou-se a guarda um bocadinho, que era o que eles queriam para realizar outro atentado”, afirmou.

Bruxelas

No dia 22 de março de 2016, a Bélgica também foi alvo de dois atentados que mataram 32 pessoas em Bruxelas e no aeroporto de Zaventem. Duas bombas explodiram no saguão de embarque do aeroporto e, pouco tempo depois, outra explosão foi registrada na estação de metrô Maelbeek.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal