“Fui covarde e fiquei apavorado”, diz preso pela morte de Daniel em carta

Folhapress


Um dos acusados de participação na morte de Daniel Corrêa, Ygor King, enviou uma carta à irmã, na qual diz que “foi covarde, teve medo e não soube o que fazer” no dia do assassinato do jogador. King foi um dos quatro ocupantes do Veloster preto que levou Daniel para a morte no dia 27 de outubro.

A carta foi enviada de Ygor para a irmã diretamente da cadeia, e sua veracidade foi confirmada pela reportagem por pessoa próxima ao acusado. O relato foi escrito 15 dias depois de Ygor ser preso.

“Meu sonho de ser advogado já era, nada faz mais sentido para mim. As pessoas aí fora acham que sou um monstro e tudo isso porque fui covarde e tive medo. Não soube o que fazer, fiquei apavorado”, diz a carta.

Ygor também escreve: “só quero que vocês entendam e acreditem em mim que eu não tive participação nenhuma”.

Em outro trecho, Ygor fala da festa na casa da família Brites, onde começou o espancamento de Daniel antes de ser levado de carro. Além de Ygor King, Edison Brittes, David Vollero e Eduardo Henrique da Silva estavam no Veloster.

Todos estão presos preventivamente e são réus por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e fraude processual.

Brittes, o Juninho Riqueza, confessou ter matado e cortado o pênis do jogador. A mulher e a filha de Juninho, Cristiana e Allana, também estão na cadeia.

“Só quero que você saiba que eu não tenho nada a ver com isso. Infelizmente eu estava no lugar errado e na hora errada, tenho pesadelos todos os dias, não durmo bem, não consigo entender por que estou nesse lugar, por uma coisa que eu não fiz”, relata Ygor King.

Segundo pessoas próximas a Ygor King, ele e Allana Brittes estudaram juntos, mas perderam o contato, que foi retomado 28 dias antes do crime, quando Allana foi ao enterro do irmão de criação de King.

No enterro teria acontecido o primeiro contato para que Ygor e o amigo David Vollero fossem à festa de aniversário de 18 anos de Allana, em 26 de outubro, na Boate Shed, em Curitiba. Depois disso, o contato com a filha dos Brittes teria sido apenas para buscar o convite da celebração.

A carta completa:

Oi minha irmã, primeiramente queria pedir desculpas por tudo isso. Só quero que você saiba que eu não tenho nada a ver com isso tudo. Infelizmente eu estava no lugar errado na hora errada, tenho pesadelos todos os dias, não durmo bem, não consigo entender o por que estou nesse lugar por uma coisa que eu não fiz. A vida inteira fazendo as coisas certas, sempre estudei, trabalhei, nunca coloquei uma droga na boca, sempre quis fazer o certo, ser alguém na vida para vocês se orgulharem de mim e tudo foi por água abaixo por uma coisa que não fiz. Se um dia eu sair desse lugar, não sei o que vai ser da minha vida.

Meu sonho de advogado já era, nada faz mais sentido para mim. As pessoas aí fora acham que sou um monstro e tudo isso porque eu fui covarde e tive medo, não soube o que fazer, fiquei apavorado. Não tenho mais gosto pela vida, só queria saber por que Deus está fazendo eu passar por tudo isso. Só espero que você me perdoe, eu amo vocês mais que tudo.

Agradeço a Deus por ele ter colocado vocês na minha vida. Desculpa de novo fazer vocês passarem por isso, só quero que vocês entendam e acreditem em mim que eu não tive participação nenhuma. Deus conhece meu coração e sabe de tudo. Manda um beijo para todos.

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