Expedição Amazônia

Pedro Ribeiro


Pedro Ribeiro

A Amazônia não arde em fogo. Pelo menos na região em que estive, no Lago do Mira, município de Careiro Castanho, distante entre navegações por rios e trechos percorridos por estrada, cerca de 150 quilômetros de Manaus em direção ao sudoeste do Estado. Não fui a uma expedição específica para ver problemas da Amazônia, mas acompanhando um grupo de pessoas, de aventureiros que queriam conhecer, também, o famoso Tucunaré.

Não tenho, no entanto, credibilidade para avaliar a real situação em que se encontra a floresta amazônica, já que a Amazônia, que vem atraindo a atenção do mundo, tem a maior biodiversidade do planeta. Sei que grande quantidade de fumaça produzida por incêndios de fazendeiros e madeireiros percorrem quilômetros adentro deste imenso país. O que vi, onde estive, foi só natureza pura e água, muita água.

Lago do Mira, um pontinho (ou uma gota de água) visto pela tecnologia dos satélites, através do Google Earth a uma distância de dezenas ou centenas de quilômetros da terra, se transforma numa grande extensão de água, cercada por densa floresta, quando você chega e se apresenta como mais um curioso ser humano diante de tão grandiosa beleza natural.

Primeiro, ao chegarmos em Manaus e nos dirigirmos ao chamado Porto do Ceasa, onde embarcações – ferry-boats e grandes barcos – fazem a travessia do Rio Negro e Solimões, uma pequena decepção que, no entanto, não tira sua ansiedade para conhecer o desconhecido e os segredos da floresta. Muita sujeira, neste pequeno porto, que deveria ter atenção maior das autoridades do governo municipal de Manaus, pois não deixa de ser um ponto de partida, também, de turistas para conhecer as belezas que nos reservam no outro lado.

Rio Negro e Rio Solimões

São aproximadamente 1h30 min., para atravessar os dois rios em direção ao município de Careiro Castanho se você for de embarcação normal, os tradicionais ferry-boats. Nós – oito pessoas – preferimos fazer uma travessia mais rápida e alugamos um barco que leva e traz turistas de um lado para o outro dos rios com duração de 20 minutos e com direito a um pit-stop no encontro do Rio Negro com o Solimões, onde ainda há milhares ou milhões de anos não fizeram as pazes e não se misturam.

Desembarcamos em um pequeno vilarejo e seguimos em um micro-ônibus pela BR 369 em direção ao Lago do Mira. Depois de 50 quilômetros de estrada péssima, chegamos ao distrito de Araçá, onde nos aguardavam quatro pequenas “voadeiras” que nos levariam à PaulsZadas, uma pousada edificada em forma de palafitas, devido às cheias, no coração da selva. Mais 1 hora de viagem por entre lagos, rios, igarapés e com direito à apreciar a natureza, botos cor de rosas, um grande número de diferentes espécies de pássaros e jacarés nas barrancas.

Durante o trajeto, podíamos observar a altura – entre 20 a 30 metros – em que chega as águas em épocas de cheias, lambendo os troncos e copas de árvores. As marcas ficam registradas por um bom tempo, especialmente pelos capins que deitam sobre os troncos das árvores.

Ao final da tarde do dia 25 de setembro desembarcamos na pousada onde fomos recebidos pelo proprietário, Paul e seus funcionários. Uma belíssima estrutura de madeira, do próprio quintal, com o conforto necessário a turistas aventureiros e pescadores, como nosso grupo. Confortáveis camas, ar condicionado nos quartos, banheiros – quatro, dois em cada extremidade da casa – uma ampla cozinha, dois grandes freezers, duas geladeiras e um canto específico para jogar conversa fora e descanso em redes. Tudo muito limpo.

Um casarão na selva

Na grande varanda do casarão, que possui oito quartos, com três camas em cada um, uma estrutura perfeita para pescadores mexerem em seus apetrechos. Tudo organizado e sob os olhares atentos e prestativos do pessoal da infraestrutura da pousada, orientados pelo próprio dono e pelos gerentes Zé (logística com barcos e alimentação) e Geani, que cuida da pousada e dos funcionários que trabalham na arrumação e na cozinha. Duas cozinheiras – a chef Dona Débora, com 20 anos em cozinha de selva, e com ajudantes Rangerli e Ester. Um cardápio variado de peixes e carnes, além de saladas e iguarias locais, como pirão de piranha, tapioca e outros.

Depois de três dias e meio de aventura pela selva e pescarias no Lago do Mira e Lago do Tucunaré, chegamos a um resultado satisfatório dos abates – todos devolvidos à água, à exceção de dois ou três para as refeições. Uma média diária de 20 peixes – a maioria tucunaré – por embarcação e a certeza de que, na primeira quinzena de outubro de 2020, o grupo estará novamente desembarcando na pousado do Mr. Paul.

Mr. Paul Hady

Paul Hardy, nascido na Guiana Inglesa e radicado há mais de 50 anos em Manaus, onde é proprietário, junto com os filhos, de franquias da Cultura Inglesa na capital e em Boa Vista (RR), não é apenas um aventureiro, mas um benfeitor aos moradores ribeirinhos.

Foi ele, com a ajuda dos moradores que construiu a pousada que, para ele, não é para obter lucro, mas para contribuir socialmente com este pessoal que vive da pesca. A Paul Zadas existe há pouco mais de dois anos e seu proprietário não faz uma divulgação maciça, porque prefere que as pessoas que a conheceram indiquem e formem um conceito diferente de aventura e pescaria na selva.

Mr. Paul, 64 anos, participa de tudo. Na hora do almoço e jantar está presente conversando com o grupo, sempre atrás de sugestões para melhoria de seu empreendimento. Articulado politicamente, pois já foi candidato à presidente da Guiana, hoje busca dar apoio às comunidades ao entrono do Lago do Mira.

Zé, o faz tudo

Em conversa animada com o gerente de logística (o faz tudo) Zé, nos conta que tudo o que eles precisam a floresta e os rios lhes dão. O peixe – pirarucu, tucunarés, traíras, piranhas, Aruanã e outros – está ali, no lado de suas casas que possuem toda estrutura necessária para uma vida simples e saudável.

A escola municipal de ensino fundamental está, também, ao lado, à disposição de todos. Igrejas católicas e evangélicas dão recado às margens do Lago. Rede elétrica para a geladeira e a televisão e ainda computador fazem parte da modernidade dos ribeirinhos. “Tenho minha vara de pescar, minha mulher e meus filhos também pescam e, então, não nos falta nada. A comida é abundante e não precisamos de terras para viver. Basta ter vontade e força de trabalho e encontrarmos pessoas como o Mr. Paul que aposta em um empreendimento simples como a pousada, dando emprego a piloteiros e suas esposas e filhos”.

Os tucunarés

A Expedição Amazônia, para a qual fui convidado, foi coroada de êxito, começando pelo organizador, Endrigo Pacheco, um animado coxa-branca que levou a bandeira do time e a fincou em um dos pilares da pousada sem se importar com as zoadas do amigo atleticano e colega de quarto, Rafael Capeline.

O campeão da competição, também organizada pelo Endrigo Pacheco, foi Salézio Floriano que capturou dois tucunarés de 5 quilos cada um. O segundo lugar ficou com Leonardo Antunes, de Manaus, e o terceiro com Rafael Capeline. Também participaram Hilario Valesko, Vitor Dambroski, Felipe Carneiro, Flávio Umeu (Japa) e Anthony Hady.

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Pedro Ribeiro, jornalista editor-chefe do Paraná Portal
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