Brasileiro mais jovem a conquistar doutorado no exterior é formado pelas cotas sociais na UFPR

Simone Giacometti


 

 

 

O pesquisador Juliano Morimoto nasceu em São Paulo, mas se considera um “curitibano de coração”.  Aos 25 anos, conquistou o título de mais jovem brasileiro a concluir doutorado na Universidade de Oxford, na Inglaterra. E tem mais: em janeiro ele se tornou membro da Sociedade Real de Biologia e Fellow de uma das mais antigas instituições para o estudo de história natural, a Sociedade Linnean de Londres (The Linnean Society of London). Só para se ter uma ideia do tamanho da conquista, o biólogo inglês Charles Darwin foi eleito Fellow da instituição em 1854.

Estudante de escola pública durante todo ensino básico e fundamental, Juliano entrou pelas cotas sociais na Universidade Federal do Paraná, onde se formou em zoologia e biologia. Essa trajetória já seria motivo de orgulho para qualquer pessoa, mas ele decidiu que poderia fazer mais. Resolveu compartilhar o conhecimento adquirido ao longo dos anos de estudo para ajudar estudantes do ensino médio a lidarem melhor com a matemática.

Foi buscar na simetria de áreas que parecem distintas, as informações que precisava para escrever o livro paradidático “Geometria Poética”. A obra tem participação dos docentes Luis Fernando Favaro, José Reis e Rafael Silva e será disponibilizada gratuitamente online.  Juliano conta que “O livro passa as informações de uma forma mais simplificada. Apesar de minha formação em zoologia e biologia, eu trabalho com um método que se chama geometria nutricional. Tive que aprender esses conceitos de geometria e aí tive a ideia de ajudar os alunos de escola pública”, explica o jovem doutor.

Juliano também concluiu o pós-doutorado na Universidade de Sydney em 2017, na Austrália, onde mora há dois anos.  “Morar em diferentes países, me deu uma perspectiva muito diferente.  Ver como a pesquisa e a ciência funcionam de forma globalizada. Isso é muito importante para que eu possa manter a qualidade do meu trabalho e receber reconhecimento”, considera ele.

Em 2017, o pesquisador retornou à UFPR como professor visitante do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação.  Por onde passa, ele faz questão de valorizar o nome da instituição. “Se não fosse essa universidade, nenhuma das oportunidades que tive teriam aparecido. A UFPR possibilita que aqueles que estudaram em escola pública atinjam seu potencial”.

Para o reitor da UFPR, Ricardo Marcelo Fonseca, Juliano é um orgulho da comunidade acadêmica. “O sucesso que o Juliano Morimoto teve na trajetória acadêmica mostra o que as universidades, particularmente as universidade públicas brasileiras, podem fazer de bom para o Brasil. Ele é uma receita de sucesso daquilo que nós fazemos em termos de formação de qualidade. É bom sempre lembrar que o Juliano entrou em nossa universidade pelas cotas sociais. Isso prova que conseguimos chegar a níveis internacionais de excelência com o que é feito aqui”, comemora o reitor.

O livro Geometria Poética faz parte do projeto financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e já atendeu mais de 300 estudantes da rede pública de Curitiba e região metropolitana, com palestras durante a Semana Nacional da Ciência e Tecnologia de 2017.

Morimoto atualmente é pesquisador na Macquarie University. “Tento retribuir à UFPR e aos futuros alunos com o máximo que posso. Pretendo continuar investindo na instituição com a minha experiência e conhecimento internacional”, conclui.

Com informações da UFPR

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