Setembro Amarelo: escolas desenvolvem ações de prevenção ao suicídio

Cristina Seciuk - CBN Curitiba


O assunto ainda é tabu, mas o problema grita por atenção: conforme pesquisa da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, com base em dados do Ministério da Saúde, entre os anos de 2000 e 2015 os índices aumentaram consideravelmente na faixa etária de 10 a 19 anos. Entre meninos e meninas de 10 a 14, o aumento de suicídios no período foi de 65% e de 45% na faixa etária dos 15 aos 19 anos.

Para Tânia Paris, presidente da Associação Pela Saúde Emocional de Crianças, o comportamento de autolesão ou mesmo a tentativa de tirar a própria vida demonstra falta de perspectivas para lidar com uma situação de sofrimento.

“O comportamento autodestrutivo, por definição, ele é uma resposta quando a pessoa não tem uma estratégia melhor. Não é da nossa natureza ter um comportamento autodestrutivo. Ele vai aparecer como uma lacuna, quando está existindo sofrimento e a pessoa não sabe lidar com aquele sofrimento. Ele vai aparecer como forma de alívio, mas um alívio com consequência”, explicou.

Essa habilidade de construir estratégias para lidar com adversidades do dia a dia é a base do programa Passaporte, desenvolvido pela Associação presidida por Tânia em diversas escolas do país, entre elas uma instituição pública aqui de Curitiba.

São atendidos estudantes a partir dos onze anos. O projeto procura desenvolver a educação emocional desses pré-adolescentes por meio de atividades lúdicas. Durante dezoito encontros eles falam sobre como lidar com os próprios problemas, com os problemas dos outros, tratam de questões de comunicação, frustração, estresse, situações injustas como bullying. Os exercícios são realizados sempre em conjunto.

“O fato de estar em grupo é muito bacana porque eles vão desenvolver a própria estratégia, mas vão ouvir a dos outros. Ao  ouvir a dos outros acontecem dois fenômenos muito importantes: o primeiro é que eles ganham estratégias que não foram eles que construíram, mas que vão servindo de estratégia para aperfeiçoar as próprias; e o segundo é que quando eles não tiverem alternativas próprias, poderão pedir ajuda. E pedir ajuda é fundamental para evitar comportamento autodestrutivo”, disse.

A potencial rede de apoio formada por professores, orientadores e colegas está no centro da prevenção no ambiente escolar, na avaliação da coordenadora pedagógica da Rede Adventista de Educação, Fabiana Retamero.

“Algumas coisas são mais fáceis de observarmos em casa do que os pais observarem em casa. Então os professores, os colegas, os monitores, servem como um apoio para facilitar a identificação de um problema”, destacou.

Na rede, todo o mês de setembro terá ação junto aos alunos. Batizada de “Quebrando o silêncio”, a atividade pretende falar abertamente sobre suicídio para favorecer o diálogo. A coordenadora defende ainda a necessidade de proporcional alternativa às crianças e aos jovens para evitar que sejam alcançados por riscos, como o recente Momo, jogo de desafios que pode estimular comportamentos autodestrutivos.

“É necessário que eles recebam orientações, mas além de receberem orientações, os pais precisam saber disso também. Além deles receberem orientação, é preciso que eles também tenham alternativas. Então a escola é um ambiente que possibilita outras formas de interação e a família também precisam oportunizar outras formas de interação para que esses espaços sejam minimizados e reduzidos”, afirmou.

Nesse sentido, orientação e vigilância são dois pontos destacados pela especialista em Direito Digital Patrícia Peck, que debateu o tema “Cidadania Digital” em evento da rede Positivo, em Curitiba. Em entrevista à CBN, ela afirmou que o mundo virtual pode ser extremamente relevante como ferramenta de conhecimento, mas que seus potenciais perigos não podem ser ignorados.

“É muito importante pensar que se a gente fecha a porta física da casa para ir dormir, também é preciso fechar a porta digital. Então hoje, se a criança está usando a internet, é como se ela estivesse na rua. É preciso que os pais estejam mais antenados com a utilização desses recurso”, ressaltou.

 

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