Hospitais abrem ação contra visita de animais domésticos

Narley Resende


Metro Jornal Curitiba

A Fehospar (Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde no Estado do Paraná) decidiu entrar com uma ação para derrubar uma lei estadual recém-aprovada, que permite a entrada de animais de estimação em todos os hospitais do Paraná.

Mesmo vetado pelo governador Beto Richa (PSDB), o projeto foi confirmado na semana passada pelos deputados, que derrubaram o veto do Executivo. A autoria foi do deputado Hussein Bakri (PSD) e o projeto foi promulgado na semana passada pelo presidente da Assembleia, Ademar Traiano (PSDB).

A Fehospar ainda estuda a melhor estratégia contra a medida. “Há o recesso judiciário mas, a depender de uma avaliação, podemos ingressar com a ação ainda neste ano,” adianta o assessor jurídico da federação, Phillipe Fabrício de Mello.

Segundo ele, os hospitais não são contrários à terapia com os pets, mas nem todo local tem estrutura adequada para isso. “O maior problema desse tipo de lei assistencialista é que ela obriga a liberar em todos os lugares. Isso pode ter consequências graves”, diz.

Segundo Phillipe, há hospitais do SUS que trabalham com de 98% até 114% das suas áreas ocupadas. Eles não teriam espaço físico para se adaptar. Além disso, o setor já tem problemas graves de financiamento e a medida implica em novos custos, especialmente para limpeza, controle dos acessos e pessoal.

Como os pets trazem novos riscos sanitários, a lei ainda traz exigências, por exemplo, de desinfecção de todas as áreas em que eles passem, incluindo lençóis dos leitos. Há também possibilidade de doenças. “Quem seria o responsável por um óbito por zoonose, por exemplo? (…) Os estudos de virologistas mostram que a resistência de ví- rus vem das mutações, e estas acontecem principalmente em animais”, cita.

O veto feito pelo governador diz que alguns hospitais não dispõem de estrutura para os animais, além de sofrer com novos custos não previstos pelas medidas sanitárias.

Terapia

O projeto libera os animais não para simples visitas, mas para a chamada TAA (Terapia Assistida de Animais), que é aceita pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como uma forma de reduzir ansiedade, o estresse, melhorar a qualidade de vida e o relacionamento interpessoal.

A entrada, além de estar submetida a um laudo veterinário, teria que ser previamente liberada pelo médico do paciente e pela administração do local. Além disso, o hospital teria que fornecer uma área paras as visitas, que poderia ser o pró- prio quarto do paciente.

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